Fraude nas eleições da Ordem dos médicos não desestabiliza candidatos

O mandatários dos candidatos a bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, em conferência de imprensa realizada ontem, em Luanda, denunciam irregularidades no processo eleitoral para escolher o próximo representante da classe. Entre tantos vícios, ainda assim, os mandatários pedem mais duas semanas para melhor se organizarem

A vontade de resgatar a Ordem dos Médicos de Angola da direcção que a tornou refém, contrariando o estabelecido por lei, sem justificação, desde 2010, do prolongamento indevido do mandato, é maior que as múltiplas irregularidades, oportunamente denunciadas (e não resolvidas) que se registam nas eleições aberta em 2018. Jeremias Agostinho, representante da candidata Elisa Gaspar, Carlos Tembwa, do mandatário Miguel Mateus, bem como Constantina Machado, do candidato Mário Frestas, denunciam, com alguma tristeza, o comportamento “fraudulento” que se instaura nas eleições da Ordem, mas, apesar disso, reforçam que os candidatos continuarão.

Os mandatários apontam como irregularidades o facto de se ter negado aos candidatos o período de até 30 dias antes do acto eleitoral para a recolha de subscrições, conforme estabelecido no Estatuto da Ordem dos Médicos Têm uma Comissão Nacional Eleitoral que foi indicada e a indicação da mesma, segundo os mandatários, não foi feita nos termos da Lei Eleitoral da Ordem dos Médicos, mas, ainda assim, decidiram levar o processo avante, dada a sua importância para a classe.

Os representantes acham ser uma situação ilegal e insustentável e exigem que se considerem válidas e aceites as candidaturas entradas na sede da Ordem, dentro dos prazos definidos, para que possam iniciar a campanha eleitoral e sejam os médicos a decidir nas urnas quem os deve representar. Exigem também que o calendário eleitoral seja prolongado em duas semanas, permitindo, desta forma, a formação das comissões eleitorais provinciais e que o processo decorra em conformidade com a lei e com os Estatutos da Ordem dos Médicos de Angola.e

Eleições de 14 de Fevereiro correm risco

No passado dia 3 de Janeiro deveria ocorrer o fecho de todo o processo de candidaturas e no dia 7 de Janeiro deveria ter início a campanha eleitoral. Numa altura em que os candidatos já tinham todas as condições criadas para circular por todo o país e apresentar os seus programas, para o espanto dos mandatários, não foram publicadas as listas dos candidatos, nem os cadernos, não sendo possível, assim, o início da campanha, estando o tempo a passar. As eleições, prevista para 14 de Fevereiro, com estas irregularidades poderão não acontecer. Para corrigir este aspecto, uma vez que a CNE não está a cumprir o seu papel, os mandatários pedem que se estenda o prazo.

“Nós pensamos que a comissão eleitoral, diante dessas irregularidades, tem a obrigação de vir esclarecer a opinião pública, principalmente a classe médica. Desconhecemos se as candidaturas daqueles que mandatamos foram reconhecidas e isso é para nós uma falta de respeito da CNE para as eleições na Ordem”, disse Constantina Machado. Defendem que o processo deve ser transparente, por se tratar das eleições da Ordem de uma classe importante do país. “É preciso que haja um outro bastonário, é preciso que este novo bastonário traga coesão e seja forte”, defendem.

Os 10 anos que a classe médica passou de forma letárgica deve ter o seu fim, segundo os conferencistas, pois o organismo que tem a responsabilidade de congregar a classe médica do país deve ser renovado e “é o momento de pôr ordem na Ordem”, defende o mandatário da candidata Elisa Gaspar. O próximo bastonário vai ser o quinto da história da Ordem dos Médicos de Angola, criada em 1991. O médico Carlos Alberto Mac-Mahon, já falecido, foi o primeiro bastonário, José Carlos dos Santos o segundo e João Bastos o terceiro. O médico Carlos Alberto Pinto de Sousa é o actual bastonário e o que está a ser acusado de estender o mandato por demasiados anos (10). Os mandatários dos candidatos às eleições acham que o actual bastonário não está em condições de exigir que os médicos que não tenham regularizado as quotas não votem. Pretendem lutar para que isto não seja um factor de exclusão.

O Pais

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