Mel do Moxico adormecido desde o tempo colonial

O município do Moxico, na província com o mesmo nome, tem na apicultura um tremendo potencial. Ao ser produzido mel em grande escala e exportado, poderá arrecadar receitas consideráveis, por meio de divisas, para aquela província da região Leste de Angola. Antes da independência, o mel do Moxico terá sido um trunfo nacional. Hoje, nem as províncias vizinhas consegue abastecer totalmente

De acordo com o administrador municipal do Moxico, Valdemar Salomão, “o mel produzido no Moxico é famoso, porque tem as qualidades que se procuram, reunimos as condições, já foram testadas em várias partes do mundo”, enunciou. Dos testes feitos fora do continente africano, segundo o dirigente, os resultados não poderiam ser melhores, pois que, “dizem que o nosso mel é um dos melhores do mundo”, proferiu, expondo assim uma potencialidade sub-explorada. Sobre a fama do mel do Moxico antes da independência de Angola, Valdemar asseverou: “já fomos grandes exportadores de mel e cera no tempo colonial”, certamente numa altura em que se apostava seriamente na apicultura.

Ou seja, desde a conquista da independência nacional que o potencial existente na apicultura do município do Moxico foi ‘esquecido’. Com a promessa de acordar desse estado de dormência que dura há mais de quatro décadas, o administrador Valdemar declarou que têm estado a trabalhar com as cooperativas, ambicionando a produção e exportação massivas. Quanto ao volume produzido em cada época, de Março a Outubro, não há base de dados ou estimativa plausível, pois os apicultores estão desordenados, dispersos e “precisamos de aglomerar essas quantidades todas para melhor exportarmos”. Sendo o mel uma alternativa para a tão almejada diversificação da economia, em falta está impulsionar o fabrico massificado, pois, “não vamos fornecer a um exportador 20.000 litros, não chega, então, estamos a trabalhar nisto”.

Modernização dos meios de produção não está à vista…

Sobre a possibilidade de modernização dos meios ou técnicas melhor mel do país. Tratando-se de milhares de hectares, no município do Moxico operam sete cooperativas, com aproximadamente 200 apicultores. As duas dezenas de apicultores activos na produção de mel de forma tradicional, média dada pelo administrador municipal, embora haja novas entradas no mercado, há anos que esse número se mantém constante, devido a desistências.

A apicultura não é vista como fonte primária de rendimento

Segundo o testemunho do administrador municipal do Moxico, apesar do poder do passado, tempo colonial, e fama ainda presente, os produtores de mel não vêm nesse ramo subsistência para lhes propiciar suficiência e estabilidade financeira. Não apenas por ser uma prática sazonal, dependente do fluxo migratório das abelhas, mas, também porque não se firmam à produção organizada e em larga escala, assim, os apicultores dedicam-se igualmente à agricultura, para sobreviver. Fenómenos de “desmatação” ocorridos na localidade, afugentam as abelhas e, defendendo igualmente o ambiente, o administrador Valdemar disse existir a intenção de “máximo cuidado, termos as abelhas bem acondicionadas e não mexermos muito nas matas”.

Projectando um futuro favorável ao ecossistema e à economia sustentada pela apicultura, o dirigente comunicou que pretendem “criar reservas florestais, onde 100% será coberto pelas colmeias”, gerandose um espaço propício para o controlo da produção. Isto porque, na maior província do país, no município do Moxico, mora uma pretensão: “queremos voltar a aparecer como os senhores e donos do mel em Angola”, desafiou o administrador municipal, acrescentando que falta é a acção.

O Pais

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