Sumiço de recém-nascido agita Hospital de Benguela

O cidadão Adelino Chico acusa os técnicos da maternidade do Hospital Geral de Benguela de, supostamente, terem trocado o seu filho, nascido na sequência de uma intervenção cirúrgica a que a sua esposa foi submetida. O Hospital Geral de Benguela fala em “debilidade na comunicação” entre as áreas

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

De acordo com o pai, quando a sua esposa deu à luz, ainda chegou a ver o bebé. Entretanto, achou muito estranho o comportamento adoptado pelo corpo clínico que na Quinta-feira assegurava os serviços naquela área da unidade sanitária de referência na província. Adelino não entende como é que as enfermeiras, apesar de ele ter insistido, não lhe permitiram o acesso ao seu filho, uma vez que, como pai, tem este direito. “Primeiro, vi o meu filho a ser posto no berçário. Minutos depois, a enfermeira sai e busca uma outra criança. Voltou a sair, ficou na porta e mostrou-me apenas a cabeça da criança.

Naquele momento disse que queria ver a criança por completo, mas ela não aceitou e fechou-me a porta na cara”, conta, insatisfeito com a forma como foi tratado pelos funcionários do HGB destacados na maternidade. Na altura, como tinha outras actividades por desenvolver, regressou à casa na esperança de voltar à unidade sanitária tão logo fosse possível para se inteirar do estado clínico da criança e da mãe. Neste intervalo, é surpreendido com a ligação de um dos parentes dando conta da morte do filho. Com a notícia a trespassar-lhe a alma, Adelino Chico começou a tratar da papelada inerente ao enterro do filho.

Desta feita, obteve o boletim de óbito, comprou o caixão e dirigiu- se à morgue para remover de lá o corpo e, às 14 horas de Quinta- feira, poder realizar o funeral. Para o seu espanto, foi confrontado com a informação de que não havia nenhum registo que apontasse para entrada de um cadáver com as características que lhe tinham sido dadas, pelo que os técnicos aconselharam-no a voltar ao ponto de onde partira a informação, ou seja, à maternidade, para se inteirar melhor. “Posto lá, a técnica diz que não havia registo de morte de criança na Quinta-feira. Depois de algumas horas, o registo apareceu. Agora pergunto: se não havia registos, como é que depois  apareceu? Nada me tira da cabeça que meu filho terá sido trocado”, disse Adelino, que não aceita realizar o funeral do cadáver que lhe foi dado, por desconfiança de que não seja seu filho. “Deixei lá o caixão, disse que aquele cadáver não é meu e que era deles, pois o meu é o que desapareceu”, expõe, revoltado com a situação.

Em defesa, o Hospital Geral de Benguela, por via do seu porta-voz, Aldemiro Cussivila, admite ter havido o que considera de “debilidade na informação”, da supervisão para a morgue, daí que se criou todo esse alarido. “Há cadáveres de criança sim, mas não se frisou que existiam cadáveres de crianças resultantes também de falecimento no berçário”, elucidou. Por outro lado, o profissional explica que os cadáveres do berçário não vão parar à pediatria, ficam confinados numa zona da maternidade. Como a supervisão da pediatria e da maternidade comunicam simplesmente aos serviços da morgue, nesse dia a casa mortuária apenas foi à busca dos cadáveres da pediatria. O cadáver em causa, segundo aquele responsável, foi mantido na pedra da maternidade desde a hora que foi feita a múmia até às 14 horas, quando o pai, depois de ter tratado todos os documentos, veio com a caixa para levar.

HGB descarta tráfico de crianças

Não é a primeira vez que facto dessa natureza acontece no Hospital Geral de Benguela, o que leva a que muita gente considere mais este incidente de “grave atrapalhada”. Questionado se, em função de tais casos não haveria presumíveis “mãos criminosas”, ou seja, rede que se dedicasse ao tráfico de crianças naquela área, Aldemiro Cussivila descarta quaisquer possibilidades neste sentido. “Os tempos mudaram, existem outras direcções. A finalidade é prestar serviços de qualidade ao utente. É verdade que, enquanto humanos, podem acontecer alguns erros, mas os erros não podem ser habituais”, considera O porta-voz, que diz que a sua instituição está aberta para trabalhar com a Polícia de Investigação Criminal, caso se justifique, reconhece a gravidade do caso e diz que o hospital vai accionar mecanismos internos para responsabilizar os técnicos envolvidos, sustentado que um inquérito foi já aberto.