A FNLA celebra o 97º aniversário natalício de Holden roberto a braços com divergências internas

Se estivesse em vida, o nacionalista angolano Álvaro Holden roberto, fundador da FNLA, um partido histórico da luta de libertação nacional contra o colonialismo português, completaria ontem 97 anos, mas quis o destino que morresse aos 84 anos, em Luanda, vítima de doença esão

Ontem, por ocasião do seu aniversário natalício, os seus correligionários realizaram várias actividades em sua homenagem, como sempre, num clima de crise de liderança, que remonta há mais de duas décadas.

Em Viana, arredores de Luanda, no Complexo 15 de Março, a actual direcção desta força política liderada por Lucas Ngonda, realizou uma palestra sobre a “Vida e Obra” de Holden Roberto, enquanto uma outra foi promovida pela JFNLA, braço juvenil deste partido, em acto decorrido no bairro Neves Bendinha, também, na capital do país.

Atendendo à dimensão histórica de Holden Roberto, as duas palestras realizadas em sua homenagem são dignas de registo, mas a iniciativa peca apenas por se constatar ainda a desunião interna entre os seus partidários, depois de várias tentativas de reconciliação interna, mas sem sucesso.

Além da direcção do sociólogo Lucas Ngonda, considerada pelo Tribunal Constitucional(TC) como sendo a legítima, há outras como a do jurista e professor universitário Fernando Pedro Gomes, que realizou um congresso extraordinário em Junho de 2018, mas invalidado por este mesmo Tribunal.

Existe ainda uma outra que tem à testa o quadro deste partido Tristão Ernesto, e ainda a Comissão Catalisadora para a Coesão Interna, protagonizada por general reformado das Forças Armadas Angolanas(FAA), João Castro(Freedom).

Todas estas correntes foram criadas para encontrar uma solução dos problemas internos junto da actual direcção, mas a reconciliação que se pretende, segundo constatações públicas, afigura-se difícil por parte do actual presidente do partido. Hoje, passados oito anos desde que o professor Lucas Ngonda assumiu a liderança da FNLA, eleito num congresso “conturbado” em substituição do engenheiro Ngola Kabangu, escolhido num congresso mais democrático, esta força política está em “curva descendente”.

Aliás, no seu discurso na cerimónia de cumprimentos de fim de ano de 2018, o próprio líder do partido reconheceu publicamente que a força política que dirige está com a imagem desgastada. Para afastar a nuvem negra que paira sobre este partido, Ngonda assumiu haver ainda muito trabalho pela frente.

“Somos obrigados a dizer que ainda temos muito que fazer para termos resultados positivos”, admitiu, reconhecendo que o ano político que terminou foi pouco produtivo em todas as vertentes. “Este ano que vai findar não podemos dizer que correu bem.

Não é porque o quadro não é agradável, estaríamos a mentir se disséssemos que sim”, disse na ocasião. Apesar desta situação menos boa por que passa este partido, Lucas Ngonda disse que o mais importante é a vontade e firmeza dos dirigentes e militantes que querem mudar este quadro.

“Não há luta nenhuma que não conheça altos e baixos, e todo o trabalho humano tem estes aspectos positivos e negativos”, afirmou, sublinhando que a sobrevivência do partido como força política está nas mãos dos militantes.

E disse mais: “Quando o partido procura ultrapassar as dificuldades que conhecemos, devemos ajudar porque esta é a nossa missão, não devemos procurar criar dificuldades ou dar um tiro no nosso próprio pé”, disse.

Em suma, Holden Roberto apesar de partir para a eternidade há 12 anos, ainda não encontrou o descanso que um nacionalista da sua dimensão merece, pois os seus filhos continuam a não encontrar um rumo certo para honrar este projecto que construiu com muito sacrifício, sangue e suor.

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