Investimento no sector petrolífero continua a ser decisivo

Sendo o petróleo um assunto de abordagem permanente, convidamos na edição de hoje a consultora Lourdes Caposso Fernandes para explicar as suas ideias sobre os “cortes&subidas” do barril. Para ela, o petróleo tem uma grande influência na nossa vida

O Banco Mundial prevê que a economia angolana deverá crescer 2,9% ainda este ano, e deverá ser suportada por novas produções no sector petrolífero e melhoria do ambiente de negócio. Sobre o assunto, a especialista em petróleo e gás, Lourdes Caposso Fernandes, comunga com a ideia do Banco Mundial, pois refere que os países produtores de petróleo, tal como o caso de Angola, a sua economia depende extremamente desta matéria-prima. Para ela, “Quanto maior forem os investimentos ou a entrada em funcionamento de novas explorações mais será gerado crescimento económico para o país”, defendeu.

Acrescenta ainda que, a própria diversificação da economia está dependente dos investidores nacionais com potencial para entrar no sector petrolífero, de modo a conseguirem gerar capital financeiro de outra ordem.

“Para existir diversificação da economia, quer na agricultura, quer na pecuária, entre outros sectores, é preciso dinheiro, e, no entanto, o capital financeiro ainda vem do sector petrolífero”, lembrou. Por isso, afirma que as atenções do país ainda devem estar centralizadas no sector petrolífero. “Temos que centrar as nossas atenções neste sector para termos mais retorno financeiro e assim investir em outros sectores”, vincou.

Para já, quanto aos cortes da OPEP, é de opinião que não vai atrapalhar o desenvolvimento da economia por se tratar de um corte por um período determinado.. Restrições OPEP Lembra que, desde o dia 01 de Janeiro que, pelo menos 1,2 milhão de barris de petróleo deixam de ser produzidos pelos países membros da OPEP e não-OPEP.

A decisão deste segundo corte na produção, cujo ajuste é de 3,02% para cada Estado membro, foi adoptada na 175ª conferência da OPEP realiza nos dias 06 e 07 de Dezembro de 2018, em Viena, Áustria, resultado da queda dos preços com mínimos de 50 dólares registadas no período de Novembro e Dezembro, depois de ter atingido em Outubro os 85 dólares/barril.

Com este ajuste, ligeiramente superior aos 2,5% inicialmente acordados na reunião, Angola, com uma produção de referência de 1,528 milhões de barris/dia, poderá cortar 47 mil barris/dia, ao contrário dos 29 mil barris, o que implicará baixar a produção para um milhão e 481 mil barris/dia.

A medida terá uma duração de seis meses, devendo ser objecto de avaliação dos seus resultados em Abril (dois meses antes do prazo), e tem como propósito reduzir o excesso de stock e o desequilíbrio entre a oferta e a procura.