Oz Black: Artista em “ascensão” aposta em reportório mais interventivo

O país atravessa um momento crítico. Não só económicofinanceiro, como também de resgate de valores. Correccionalmente, o músico conhecido artisticamente por Oz Black, acredita no poder de persuasão da música, por isso considera ser possível, mudarem-se algumas mentes perversas e inspirar esperança em dias melhores

Por: Adjelson Coimbra

Sob inspiração em artistas como Matias Damásio, Paulo Flores e Filipe Mukenga, Oz Black aproveita a sua grande capacidade em criar música e, pretende por isso, dar o seu contributo continuando com o trabalho que muitos artistas de renome da nossa praça fazem ou fizeram e assim atingir o sucesso.

O artista em ascensão no grandioso “Mundo” da música, escapando da mesmice, quer ser mais inovador em termos de temas, de forma a chamar a sociedade à razão, uma vez que se tem constatado algumas anomalias na sociedade. “Os meus temas focam-se no aconselhamento das pessoas, eles são uma espécie de autoajuda, contudo, pretendo ser mais interventivo”, acrescenta.

Com apenas cinco faixas gravadas sem afinco, como afirma, garante ter ouvido sugestões de pessoas para que haja melhorias. “Eu analisava a minha maneira de cantar, aquilo que tenho de trazer para o mercado, como emprego a minha voz quando actuo e dei conta dos erros que cometia, assim fui investigando”, frisa.

Conta que foi mantendo contacto com determinados grupos que faziam da rua o seu palco. Com eles, desenvolveu novas técnicas. Nestas andanças conheceu um rapaz chamado Júnior, conhecido por tocar guitarra nas ruas da centralidade de Cacuaco (Sequele). “É um rapaz que me compreende musicalmente.

Nós estamos com um projecto que engloba os estilos semba, guetto zouk e soul music. Está uma fusão muito bela. Nós fazemos uma harmonia ao cantar em que nos tornamos numa pessoa só. Eu não entrei no mundo da música para ganhar dinheiro, entrei porque eu tenho dom para o canto e fazer diferente com novas sonoridades”, defendeu.

Poder da música pode mudar o país É evidente que, com a globalização, a camada mais jovem da sociedade angolana, que por sinal cobre a maior parte da população, está cada vez mais vulnerável à aculturação. Esta, muitas vezes, vai contra os valores étnicos que nos foram passados. A luta é constante e os intervenientes sociais têm vindo a envidenciar-se por esta causa. Nesta luta, o jovem músico Osvaldo António Nandioke, mais conhecido por “Oz Black” não fica de fora.

O artista alega que a música tem um poder informativo muito forte. Entretanto, acrescenta que há cantores que deviam parar de cantar futilidades e ser mais interventivos. Oz Black faz menção de estilos de música que nos representam (Angola), como o “Kuduro” e o “Semba”.

“Vou falar particularmente do caso do “Kuduro”, que devia ser um estilo de música que nos fosse representar ainda mais. Tal como vemos os nigerianos, que internacionalizaram o estilo Naija pela sua capacidade performativa. Importa frisar que o Naija, nativo da Nigéria, é um estilo de música bem recebido pelo Mundo. Angola não é excepção. Este estilo africano tem sido motivo de gritarias em festas. Já há até músicos angolanos a fazer roupagens e a produzir músicas do mesmo estilo.

Percurso Osvaldo António Nandioke nasceu em Malanje. Chegou a Luanda em 1992, depois dos confrontos. O seu pai é nativo da província do Cunene e a mãe de Malanje. Teve necessidade de seguir o pai. Quando a mãe foi para o Cunene, em 1997, ficou a estudar com a tia, irmã da mãe. Em 2000 regressou ao Cunene, ao encontro da mãe. Conta que cresceu praticamente lá, onde aprendeu a cantar. Entretanto, a situação ocorrera numa altura em que a sua mãe converteu-se ao “Mundo” cristão. Desta forma, nega tornar- se na segunda mulher.

Com o passar do tempo ela casou-se de novo e continua na igreja. Oz Black ficava mais com a mãe do que com o pai, seguindo as suas pegadas também começou a frequentar a igreja. Daí nasce verdadeiramente a paixão pela música. Começou a cantar no coro da igreja, com cerca de 17 anos.

Os superiores da igreja, apercebendo-se do seu talento e o de outros rapazes, mandou-o para a Namíbia, Windhoek, onde fez uma formação de canto. Após a formação, de regresso a Ondjiva, foi informado de que o seu pai tinha falecido. Foi obrigado a tomar uma decisão sobre onde ficar em Luanda ou em Ondjiva.

Oz Black ficou ainda na terra natal do seu pai, onde frequentou estúdios e participou em coros de certas músicas. De acordo com o músico, almejar a fama na região foi uma tarefa que ele conseguiu. Vendo que já não havia mais nada para se fazer no Cunene, vai para Luanda onde actualmente trabalha em bares fazendo karaoke.

O artista desabafa que tudo que ele mais quer é conseguir patrocínio e uma produtora para mostrar trabalho. Oz Black domina o soprano, tem um timbre vocal rouco resultando numa óptima combinação harmónica.

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