Mistérios de Sul

Na semana passada circulou na Huíla uma nota oficial a solicitar aos membros do Governo, sobretudo os ligados à Educação, que não voltassem a falar cota imprensa sobre os livros que “nasceram” num armazém de uma fazenda em Caconda. Supostamente, da a entender a nota, o assunto está esclarecido. Não, não está. Há questões que merecem resposta pública, aqueles livros, nós, os contribuintes, pagámo-los . Quem enviou seis toneladas de livros escolares para uma fazenda? Por que ficaram lá esquecidos por seis anos? A quantidade de livros que lá está agora é a mesma que chegou em dois mil e doze? Por que razão a actual directora da educação não sabia dos livros? Quantas mais toneladas de livros a Huíla recebeu nestes seis anos? Os órgãos centrais, em Luanda, do Ministério da Educação, sabiam do depósito? Depois do escândalo com os dinheiros dos professores, com contas mal feitas e com o remanescente a ser usado para uma compra fantasma de laboratórios, e com a entrada de entes privados na operação de pagamento dos atrasados aos professores, este episódio dos livros escolares numa fazenda e que, segundo a nota, pertencem também a uma sobra, há muito por esclarecer. E não me espantaria que daqui a pouco vivêssemos a ter novidades cabeludas. Ao contrário do que pensa alguém no Governo provincial, o mistério é ainda denso e há muitas respostas a dar.

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