Campo do São Paulo em avançado estado de degradação

As condições técnicas e administrativas do recinto onde já desfilaram craques do futebol angolano são lamentáveis. A relva é quase que inexistente. os balneários e as bancadas continuam a degradar-se. o campo São paulo foi reabilitado entre 1997 e 1998. no ano passado, a federação Angolana de futebol (fAf) mostrou-se interessada no campo, no entanto, escreveu para o governo provincial de Luanda (gpL), mas obteve resposta lacónica

POR: kiameso Pedro

O Campo do São Paulo, no distrito urbano do Rangel, em Luanda, está votado ao negrume de um destino triste. A julgar pela gestão e a culpa dos seus gestores e responsáveis, o processo, bem como o silêncio das autoridades já leva tempo. Após a chegada da equipa de reportagem, os olhos confrontam-se com o portão completamente escancarado e indiscutivelmente entregue à sua sorte, segundo os moradores e os cidadãos que frequentam o local onde desfilaram grandes artistas do futebol luandense e do país. Como é evidente e perante o cenário constatado pela reportagem do O PÁIS, todo o mundo pode fazer o que bem entender, uma desordem total às barbas das autoridades. No interior, viu-se o espaço reservado para os seguranças desempenharem às suas funções, mas não estavam no local e no momento em que a equipa deixava o local apareceram sem prestar quaisquer declarações.

Relvado

O relvado do Campo do São Paulo tornou-se num arco-íris. Clama por socorro. Tudo indica que nunca mais teve os cuidados que se impõem, ainda assim os atletas desfilam nele. Lixo, cães e répteis também dão o ar da sua graça antes ou depois de uma partida de futebol naquele relvado sem a permissão dos requisitos exigidos pelas leis do desporto- rei. Os balneários são inexistentes. Os atletas trocam-se à vista do público. O sentimento de vergonha não existe entre os jogadores dos clubes de bairro, adeptos e os vendedores e vendedoras do Mercado dos Congoleses.

A escuridão e a criminalidade andam de mãos dadas no recinto. Violações e outros crimes são praticados no Campo do São Paulo sobretudo no lado esquerdo, onde se encontra o campo com bancadas de betão. As autoridades da província de Luanda têm ouvido os relatos, mas as respostas, por parte das autoridades, nunca chegam, facto que deixa cada vez mais os cidadãos agastados. A infra-estrutura, que custou milhões aos cofres do Estado angolano aí entre 1997 e 1998, período das últimas obras de restauro, chegou a este ponto de degradação por falta de critérios cerrados para a feitura de manutenção. O Campo do São Paulo, mesmo estando votado ao abandono, continua a ser o palco de muitos clubes de bairro para os “trumunus” de fim-de-semana ou jogos de apostas.

Por este facto, a reportagem deste jornal entrevistou Mário Ventura, técnico dos The Police, equipa afecta ao bairro da Polícia, nos arredores do Jumbo e da Calemba, distrito da Maianga. No embate frente aos Blocos, Mário Ventura orientava o posicionamento táctico dos seus atletas, uma vez que o adversário tinha a posse de bola e criava dificuldades. O treinador dos The Police, 44 anos, disse que as condições do Campo do São Paulo resultam da má gestão, sendo que a relva já não está em condições, mas não há outro local para se jogar. “É de lamentar. Isso já não é relva é capim. Jogar no São do Paulo tem sido uma dor de cabeça. Enfrentam- se dificuldades que colocam em risco a integridade física dos jogadores”, lamentou Mário Ventura.

A administração do Campo do São Paulo, para uma partida de futebol cobra 20 a 30 mil kwanzas, valores que muitas vezes ficam muito caro paraas equipas que praticam futebol. O técnico dos The Políce fez saber que a Federação Angolana de Futebol (FAF) está interessada em ficar com o Campo do São Paulo, porém o Governo Provincial de Luanda (GPL), na época de Adriano Mendes de Carvalho, não deu uma resposta capaz. Mas acredita que nos próximos tempos a reabilitação deverá acontecer, porque os clubes e os munícipes estão à rasca, uma vez que o futebol fica cada vez mais pobre por falta de recintos. Por sua vez, Tobias, um dos moradores dos Blocos, espera que o GPL ou outra instituição ligada ao futebol reabilite o Campo do São Paulo nos próximo tempos, ou se vai matar os talentos naquela zona. Para o jovem, o recinto, mesmo nestas condições, tem permitido distinguir talentos e enviar para os melhores clubes de Luanda. O Petro de Luanda e o 1º de Agosto, segundo Tobias, têm sido os mais beneficiados.

FAF também lamenta

No ano passado, o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur Almeida, lamentou o estado em que se encontra o Campo do São Paulo, aliás foi um palco de grandes disputas desportivas do Girabola. O responsável do órgão que rege a modalidade no país admitiu que há vontade de se reabilitar o Campo do São Paulo, mas autoridades competentes não dão uma resposta satisfatória. Em declarações à imprensa, Artur Almeida fez saber dos contactos vários com o GPL, mas a luz verde não se via no fundo túnel, facto que deixa os planos da FAF em queda livre.

Palco do amor

A prostituição, uma das profissões mais antigas do mundo, também tem jogado no Campo do São Paulo, mas à noite. Os seguranças e outras forças da ordem sabem do assunto. Mas por tirarem dividendos, fecham- se em copas, porque numa noite, se entrarem várias viaturas para o efeito, o resultado chega a ser maior que os carros que lá passam a noite, segundo fontes deste jornal. Os moradores estão preocupados com a situação, uma vez que na calada da noite ouvem gritos e as vezes cenas de pugilto entre os casais que fazem do Campo do São Paulo um hotel de três estrelas.

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