Carta do leitor: Bairro Uíge sem água há nove meses

Ilustre director do Jornal O PAÍS, é com enorme entusiasmo que escrevo pela segunda vez para o vosso órgão de comunicação. Vivo no bairro Uíge. Está localizado no distrito urbano do Sambizanga, em Luanda.

POR: Kemba Sebastião/bairro Uíge

Em nome dos moradores do bairro supracitado, venho por meio desta reclamar da falta de água nas torneiras há mais de nove meses. Mães, crianças e até pais percorrem largos quilómetros para conseguirem o líquido precioso. Mas, parece jocoso – os que têm reservatórios de água nos seus quintais são os que não reclamam. Aliás, pedem à Deus para que o líquido não acabe enquanto a água não jorrar nas torneiras. No bairro, há meninos que já não sabem o que é tomar banho, escovar os dentes tem sido uma raridade entre muitos. Poupar a água está na base desta triste realidade. Parece que não, mas estamos na Estação das Chuvas. O São Pedro também não está abrir as suas torneiras. O Governo Provincial de Luanda (GPL), encabeçado por Sérgio Luther Rescova assobia para o lado. Diz à imprensa de peito inflamado que vai resolver os problemas básicos desta capital, com realce para os bairros. Já passaram vários governadores nesta província. Todos diziam a mesma coisa. Acho que este foi mais um daqueles que gosta de protagonismo, ou seja, que adora fazer markting pessoal. O administrador do bairro Uíge (Sambizanga), Afonso Antas Miguel, disse em tempos à imprensa pública que a ausência de água nas torneiras deve-se ao facto de a zona de produção estar em reabilitação. Há nove meses? Não sei o que lhe passou pela cabeça, mas é caso para dizer que foi também daqueles que quer ganhar fama na imprensa, já que é novato no circulo político. A população pede ao Governo que olhe para este assunto com alguma sensibilidade, já que nunca tiveram. Vão continuar com os mesmos hábitos do passado? Eu quero saber se eles também gostariam de sentir na carne isto que este povo está a passar. Isso é desumano até.

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