M’Action:Grupo da “New School” funde estilo rap ao afro house

M’Action, que quer dizer Acção Motivadora, é um grupo de rappers da new school (nova escola), proveniente da Huíla, que se arrojou em fundir o estilo rap com combinações rítmicas aceleradas, ao afrohouse, um estilo musical mais dançante

POR: Adjelson coimbra

Com idade média de 19 anos, o grupo M’Action, formado por Djamir Bento “Bolachudo”, Luís Catembué “Dara Skill”, Eliel de Almeida “Eli Boy”, Madjer José “M’José” e Cleison Pereira “Star Killer” pretende popularizar a fusão de dois estilos musicais diferentes nas suas canções. Para muitos isso é novidade, para outros é um pouco confuso devido à semelhança que esta fusão tem com o “trap”, um estilo de instrumental caracterizado pelo seu conteúdo lírico agressivo e som, que incorpora sintetizadores em camadas e cordas “cinematográficas”. No contexto angolano, podemos ir buscar o exemplo dos rappers Prodígio e Monsta em “Swagg All Ova”.

Entretanto, o grupo de adolescentes é, obviamente, originado no rap. Eles contam que têm outras ambições, mas ficam tristes com o facto de os adultos terem uma má imagem de quem faz este estilo musical. “Para eles o rapper é aquele que usa brincos, que usa rastas, o que anda com calças abaixo do rabo”, acrescentou Eli Boy. “Nas nossas músicas temos do rap ao afrohouse, sem que fujamos da essência do afrohouse. Pretendemos que o rap que nós fazemos ande de mãos dadas com o afrohouse.

Geralmente colocamos as métricas de rap em cima de bits de afrohouse”, explicou. Os jovens contam o quanto é difícil tornar-se um artista no Lubango. Com um home studio (estúdio de casa), já conseguiram produzir 15 faixas musicais. “Corremos atrás de tudo. Lá no Lubango é difícil encontrar material para o estúdio e as coisas agora, ligadas ao mundo da música, estão a ficar muito difíceis. As pessoas querem ouvir coisas com qualidade, portanto, tentamos todos os dias aperfeiçoar o nosso trabalho”, disse.

Percurso

Tudo começou em 2013 no colégio onde fizeram o ensino de base. Madjer narra que faziam rodas de Freestyle. Daí nasceu a ideia de formarem um grupo, cujo nome inicial, “Killer Gang”, que significa Grupo de Assassinos, fez com que fossem considerados vândalos. “Não tivemos uma boa recepção por parte do público. Mantivemos o nome durante três anos. Tivemos uma agente, que nos motivou muito e disse que antes de qualquer coisa já tínhamos de mudar o nome do grupo, pois desta forma tudo daria certo. Foi a parte mais difícil. Cada um vinha com um nome. Daí nós pensamos no que fazemos, mobilizar pessoas a fazerem coisas boas. E motivamos de que maneira? Com acção, então ficou Acção Motivadora, M’Action”, detalhou. Após a mudança do nome, o público começou a gostar. O grupo gravou a música intitulada “Gostas”, o que viria a ser a sua primeira música promocional. Contentado com o sucesso, colocou em planos lançar mais uma música, de forma a ancorar o sucesso. “Hoje está a ser difícil, mas amanhã vai valer a pena o esforço e os gastos que investiste no passado”, asseverou.

Projectos

“Estamos em contacto com uma produtora, só não assinamos porque estamos a analisar alguns pontos que ainda não foram acordados. Queremos continuar a invadir o mercado de Luanda, para sermos conhecidos o mais rápido possível. Temos dois vídeos por fazer, um da música “Gostas” e outro da música “Top”, que são as músicas mais bem recebidas”, revelou. Madjer salienta que tão logo regressem para o Lubango vão realizar uma campanha com o objectivo de incentivar a higiene bucal.

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