Escola Técnica de Saúde da Cela funciona a ‘meio-gás’

A instituição enfrenta várias dificuldades, como a carência de pessoal e funcionários administrativos, embora estejam à espera do concurso público da Educação, bem como de materiais de apetrechamento ligados ao laboratório de enfermagem

A Escola de Formação Técnica de Saúde da Cela no Waku-Kungo, província do Cuanza-Sul, carece de apoios devido a algumas dificuldades que enfrenta, desde a falta de pessoal, de quadros, de funcionários administrativos à falta de material de laboratório, entre outros.

Fundada a 15 de Maio de 2011, o núcleo de Saúde lecciona um único Curso de Enfermagem Geral e já formou vários estudantes vindos de vários pontos do país. Antes, o núcleo pertencia à província de Benguela e desde 2013 passou a pertencer à escola mãe do Cuanza-Sul, com a sede do Sumbe.

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, o sub-coordenador da Comissão dos Estudantes e responsável da área pedagógica, Fernando António Manuel, disse que neste momento aguardam pelo último concurso da educação para serem agraciados com profissionais de Saúde e professores especializados na área de enfermagem.

Neste momento, a instituição tem apenas uma pessoa que trabalha na área administrativa como técnico de 2ª classe, sendo que o resto do pessoal são alguns professores que prestam serviços administrativos, para além de leccionarem.

Apesar de o núcleo funcionar bem e receber o apoio da Administração Municipal da Cela, da escola mãe no Sumbe, da repartição de Saúde e Educação, bem como do Hospital Municipal, as carências ainda são visíveis. “Nós precisamos de alguns materiais actualizados que nos podem ajudar a ter um ensino de qualidade”, declarou o responsável da instituição, cujo curso de enfermagem tem a duração de quatro anos curriculares, mais um de estágio.

A carência de profissionais desta área na supracitada província será colmatada com a abertura do Instituto Médio de Saúde (IMS), que se enquadra num programa de municipalização dos serviços de Saúde.

Dependência também dificulta

A Escola Técnica de Saúde está à espera dos professores que participaram no último concurso público da Educação. Para além disso, outro aspecto inquietante é o facto de muitas decisões do núcleo não serem tomadas pela instituição, mas sim pela escola mãe no Sumbe a quem pertencem e de quem dependem.

Para o responsável, a distância tem influenciado no processo de ensino e aprendizagem, daí esperarem que as autoridades de direito reconheçam a instituição no sentido de se tornar autónoma, visto que a mesma se encontr no centro da província e só beneficia os municípes do Cassongue, Ebo, Conda, Quibala e o Libolo, entre outros.

Outra dificuldade tem a ver com o apetrechamento de alguns elementos ligados ao laboratório de enfermagem e também do único campo multi-uso. Nesta altura está em fase de acabamento uma sala nova, erguida pela comissão de pais numa área projectada para o laboratório de informática, um novo gabinete, uma secretaria, vasta, para as áreas pedagógica e dos professores, e um posto médico para os alunos fazerem o estágio. “Precisamos de alguns materiais para os laboratórios de informática e de enfermagem.

Os laboratórios funcionam, mas sem equipamentos suficientes, apenas com o básico dos cursos que leccionamos”, reforça.

Autonomia poderá resolver o problema

Não obstante as carências, Fernando Manuel clama por apoio das entidades máximas para autonomizar o núcleo e deixar a escola mais independente e em conformidade com o seu tempo de existência, e também pela distância que o separa da escola mãe.

“Pedimos apenas que verifiquem com maior precisão, de forma a que o nosso núcleo tenha pernas para andar e deixe de depender de outrem. Já somos um núcleo bastante idóneo, com muita experiência, e a nível da província surgimos à frente da escola do Sumbe”, disse.

Na altura em que surgiu, o núcleo pertencia ao Instituto Médio de Saúde de Benguela, porque na província do Cuanza-Sul apenas havia um instituto básico, na cidade do Sumbe, tendo um ano depois sido criado o Instituto Médio de Saúde do Sumbe.

Todavia, por questões administrativas, o ensino desse curso nas duas províncias passou depender da “escola mãe”, localizada na antiga cidade do Novo Redondo. Por essa razão, Fernando Manuel disse já reunirem condições técnicas para se tornarem autónomos, faltando apenas o consentimento de quem de direito.

“Pedimos que nos ajudem a ter as condições que faltam e o desdobramento para sermos uma instituição independente do Sumbe”, disse. Enquanto tal não acontece, os profissionais trabalham arduamente com vista a superar as inúmeras dificuldades em termos de material, que consideram se terem tornado normal, de acordo com Baptista Correia, que responde pela área administrativa.

“A carência de recursos financeiros que o país enfrenta fez com que a obra atrasasse um pouco, mas temos fé que vai terminar. Este ano tudo vai começar a funcionar e talvez falte apenas o centro médico”, disse.

O município da Cela teve na década de 1980 uma escola de formação básica de enfermagem que devido ao conflito armado encerrou. Na sede capital da província do Cuanza-Sul existe um Instituto Superior de Enfermagem.

33 profissionais asseguram o funcionamento

Fernando Manuel contou que a instituição funciona no período diurno com o seu curso de criação e no período da noite são ministrados cursos promocionais, isto é, cursos dirigidos aos técnicos básicos de enfermagem que estão sendo promovidos a médios.

Actualmente, a instituição funciona com 24 professores, duas senhoras para a limpeza e um jardineiro. Este, por vezes, serve de apoio às senhoras para poderem manter o ritmo normal da higiene na instituição. A segurança das instalações é garantida por quatro profissionais. Há ainda uma funcionária a atender pela área pedagógica, o que perfaz o total de 33 pessoas.

“Para a cobertura de algumas cadeiras técnicas temos, no nosso quadro docente, técnicos de enfermagem licenciados que estão colocados na Repartição de Saúde e no Hospital Municipal da Cela”, disse. Garantiu que os estudantes da 10ª a 12ª classes têm um plano curricular que dá credibilidade àquilo que é a qualidade do ensino.

Os professores estão capacitados para tal, por serem licenciados em Enfermagem, Educação Pedagógica, entre outras especialidades. Os alunos da 12ª classe são submetidos no período da manhã a um estágio de rotina nos 14 postos médicos e centros de Saúde do município durante seis meses e, posteriormente, submetidos a uma prova de exame prático para serem avaliados.

Já os estudantes finalistas, da 13ª classe, têm um estágio curricular de seis meses no hospital municipal. Nesta fase, realizam também uma investigação sobre um tema propostos por eles ou pela direcção da escola, a fim de desenvolverem uma monografia que é apresentada no final do ano lectivo.

Como ingressar na instituição

Para entrar na instituição, os candidatos tem de fazer uma inscrição, grátis, cujos processos passam por uma triagem. Para o efeito, levam apenas os seus certificados do ensino de base com as descriminadas notas da 7ª, 8ª, e 9ª classes, quatro fotografias tipo passe e o B.I. ou cópia da cédula. Depois de seleccionados, são submetidos a um teste de admissão.

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