Estudantes desfavorecidos beneficiam de bolsas de estudo chinesas

A selecção dos candidatos estará a cargo das próprias universidades que receberam, da parte da Associação dos Chineses Voluntários, os primeiros valores em cheques avaliados em 2 milhões e 400 mil Kwanzas/cada, que vão servir para a cobertura do ano académico 2019/2020

Um grupo de doze estudantes desfavorecidos, deficientes, desempregados e em outras condições de vulnerabilidade social das Universidades Agostinho Neto (UAN) e Católica de Angola (UCAN) beneficiarão de bolsas de estudo internas financiadas pela Associação dos Chineses Voluntários, cujo valor global está orçado em 28 milhões e 800 mil Kwanzas.

O contrato académico, com a duração de cinco anos, será financiado de forma faseada, sendo que cada estudante passará a receber, anualmente, 400 mil Kwanzas, que servirão para o pagamento de propinas e compras de materiais didácticos. A selecção dos candidatos estará a cargo das próprias universidades que receberam, da parte da Associação dos Chineses Voluntários, os primeiros valores em cheques avaliados em 2 milhões e 400 mil Kwanzas/cada que vão servir para a cobertura do ano académico 2019/2020.

De acordo com João Shang, presidente da Associação dos Chineses Voluntários, deu-se a liberdade de as instituições de ensino trabalharem na selecção dos beneficiários por estas conhecerem melhor a realidade dos estudantes mais necessitados e que apresentam maiores níveis de dificuldade sociais.

Porém, apesar de se optar pelos mais carenciados, o responsável fez saber que é importante que estes tenham um bom desempenho académico e que apresentem históricos de excelentes aproveitamento académico nos níveis anteriores. “Estamos confiantes que as próprias universidades farão uma selecção à altura das exigências e esperamos ter bons candidatos. É que não basta apenas ser deficiente, desfavorecido ou desempregado.

É preciso que o estudante que vamos financiar os estudos tenha bom desempenho académico”, atestou. João Shang fez saber ainda que as bolsas estão abertas para estudantes de várias idades, sobretudo jovens, entre homens e mulheres. Depois dos cinco anos de formação, esses bolseiros serão inseridos, de forma directa, nas várias empresas chinesas que operam no país de forma a preencherem as vagas de emprego nos mais variados sectores de actvidade desde a indústria, comércio, construção civil e prestação de serviços. “Esta é uma orientação das relações entre Angola e China.

Estender as mãos aos que mais precisam, por via da formação e/ou oferta de emprego. A ideia com esse projecto é formarmos quadros que sejam capazes de alavancar o desenvolvimento de Angola e das próprias empresas num período curto de cinco anos”, frisou.

Para João Shnag, com os ventos de mudanças e transformação que Angola regista, aguarda-se, para os próximos anos, por mais investimentos chineses no país.

Os quadros formados dentro deste programa de bolsas vão poder ajudar e assegurar o desenvolvimento das empresas chinesas que poderão escalar o território nacional.

Mais-valia

Por seu lado, Maria Helena, vice- reitora da Universidade Católica de Angola, explicou que, à semelhança de outras iniciativas, o programa chinês de bolsas de estudo vai ajudar na continuidade formativa de muitos estudantes carenciados que a sua instituição alberga em números elevados. Segundo a académica, muitos estudantes, apesar do bom aproveitamento, tendem a desistir ao meio do ano por falta de meios para custear todo o processo académico.

A universidade, esclareceu, com a ajuda dos seus parceiros, tem estado a disponibilizar bolsas, mas o número de estudantes carenciados é muito elevado, pelo que as ajudas conseguidas não têm saldado todas as necessidades. “Gestos como estes acabam sempre por ser uma mais-valia para a nossa instituição. Os beneficiários poderão estudar com mais tranquilidade sem muitas preocupações”, defende.

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