Falta de consenso leva ferroviários à segunda semana de greve

Paralisação total desde Sábado, é o que se regista nos Caminhos de Ferro de Luanda. Os trabalhadores, por falta de consenso com a entidade empregadora, entram para a segunda semana da greve, cujo término não foi determinado

a decisão de paralisar na totalidade surge depois de na última reunião com a entidade empregadora, na Sexta-feira última, não ter havido, novamente, consenso quanto àquilo que os trabalhadores acham ser o “ponto fulcral” do Caderno Reivindicativo, a exigência de aumento salarial na ordem dos 80%.

Agora, os cidadãos nem sequer terão os serviços mínimos que diariamente eram garantidos pelos Caminhos de Ferro de Luanda, pelo que os 17 comboios desta empresa ferroviária ficam paralisados, até que a situação seja resolvida. A reunião de Sexta-feira não deu em nada, senão mais força para continuarem a greve aos trabalhadores. “O PCA, quanto à questão do ponto sobre o aumento de salarial, disse que não têm capacidade financeira para aumentar o salário e fizeram um memorando que foi entregue à Casa Civil da Presidência da República.

Os trabalhadores acham que isso é um processo cuja resposta leva tempo, pelo que decidiram abandonar (em massa) a sala”, disse, Ditoloca Kinkela, secretário para os assuntos jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores do CFL, em entrevista ao jornal OPAÍS.

Esta reunião surge porque a direcção da empresa, segundo o entrevistado, acusava os líderes da greve de estarem a inviabilizar o processo de negociação. Decidiram então mostrar o contrário e que havia vontade de negociar, mas a resposta da direcção quanto ao ponto sobre o aumento salarial deixou enfurecidos os trabalhadores.

“A administração nos pede para anularmos a greve, mas nós dissemos que esta não é nossa decisão, pois a greve é algo decidido numa Assembleia de Trabalhadores”, refutou Ditoloca, tendo reforçado que os dois últimos comboios que garantiam os serviços mínimos foram paralisados também devido a esta falta de consenso.

A resolução do único ponto divergente, o aumento do salário na ordem de 80 por cento, está a depender da comissão negociadora, composta por membros dos ministérios das Finanças e da Administração Pública, Trabalho, Segurança e Social (MAPTESS), de acordo com o administrador para a área administrativa e financeira do CFL, Abel Lopes.

A dificuldade, explicou, reside no facto de o CFL não ter capacidade financeira para atender a estas exigências, nem tem possibilidade de apresentar uma contra-proposta.

A preocupação da falta de capacidade da empresa já foi apresentada ao Governo, para solucionar.

Para o porta-voz do C,FL, Augusto Osório, em entrevista ao nosso jornal, a direcção da empresa julga não haver necessidades de se continuar a greve, realçando que foram satisfeitas 18 pontos das 19 exigências constantes no Caderno Reivindicativo dos trabalhadores.

“Mais de 95 por cento das reivindicações foram aceites pelo CFL e, faltando apenas um ponto, não percebemos por que razão é que se efectiva a greve enquanto decorrem as negociações. Falta boa-fé e achamos injustificada esta atitude”, disse, Augusto Osório.

O responsável frisou que o dinheiro para solucionar as exigências dos trabalhadores terá de vir da actividade normal da empresa, mas com a greve fica difícil de se solucionar.

Por outro lado, quanto ao facto de alguns trabalhadores terem sofrido ameaças de despedimentos por terem aderido à greve, Ditoloca Kinkela disse que a situação já está ultrapassada, pelo que não mais sofrem ameaças. Entretanto, amanhã irão analisar um caso pontual que, a ser verdade, poderão denunciar nos órgãos competentes e na imprensa.

 

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