Maneco Vieira Dias defende reflexão sobre estádio da Cultura Nacional

Preocupado com a actual situação, o especialista advoga a necessidade de se reverem as políticas culturais a todos os níveis e fazer uma reflexão profunda em torno das mesmas

Por: Adjelson Coimbra

O director artístico do Ballet Tradicional Kilandukilu, Maneco Vieira Dias, afirmou que as danças tradicionais em Angola continuam a merecer pouca atenção, em benefício das outras, devido à falta de praticantes

O responsável, que falava em exclusivo a OPAÍS, no âmbito da recém-realizada formação no domínio da dança folclórica, uma iniciativa do Ballet Tradicional Kilandukilu e o Projecto kizaca, advogou a necessidade de se rever as políticas culturais a todos os níveis e fazer-se uma reflexão profunda em relação às mesmas. Realçou que muito já se falou e ainda se continua a falar sobre o estádio da dança no país e nada de concreto tem sido adiantado por falta de incentivos.

“Somos daqueles que acreditam em políticas mais consistentes”, disse Maneco Vieira Dias, acrescentando que foi interessante ver jovens a interagirem com vários artistas, entre os quais o exímio instrumentista, Raúl Tolingas, o compositor Chabanu, o poeta Lopito Feijó, sobretudo no painel so bre as danças e música de salão chegando mesmo a haver uma demonstração ao vivo, onde a música foi executada à base de instrumentos tradicionais.

A acção formativa, que teve uma carga horária de 16 horas, reuniu cerca de 30 participantes, e visou entre outros aspectos, saudar o Dia da Cultura Nacional e o Dia da cidade de Luanda. Durante o ciclo, foram abordados vários temas, dos quais “Angola Turismo e Gastronomia”, as “Danças do Carnaval de Luanda, O Seu Desenvolvimento e Estilos”; “Danças Tradicionais de Angola”, “Danças de Salão”, “Descodificação da Dança-Geometria da Kizomba, o Ensino da Dança e Suas Técnicas”, entre outros temas.

Maneco Vieira Dias, admitiu que a referida formação só se tornou possível com o apoio da Direcção Municipal da Cultura e Turismo da cidade de Luanda.

O objectivo foi proporcionar a troca de conhecimentos entre bailarinos, coreógrafos, professores e grupos carnavalescos. Expansão para outras províncias Neste caso particular, o responsável pelo Movimento de Revitalização da Dança em Angola assegurou que, caso houver apoios, as acções formativas seriam extensivas às 17 outras províncias do país.

O ciclo sob coordenação de Inocêncio Oliveira, professor do CEART, contou também com a participação de Mestre Petchu, professor e coreógrafo em Lisboa, Manuel Gonçalves, Roldão Ferreira, Domingos Nguizane, Carlos Lamartine, Horácio da Mesquita, Eduardo Paim, Lizete Rodrigues, Inocêncio Oliveira, Aricelma Cordeiro e Mestre Petchu.

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