Novo livro de Gociante Patissa é lançado Quinta-feira, no auditório Pepetela em Luanda

A obra com o sugestivo título O Homem Que Plantava Aves, tem a chancela da Editora Acácias, reúne 14 contos e uma fábula, e será apresentada pelo escritor e crítico literário Helder Simbad

Catorze contos e uma fábula, compõem o mais recente trabalho literário do escritor Gociante Patissa, com o título O Homem Que Plantava Aves, a ser apresentado esta Quinta-feira, 24, no auditório Pepetela – Centro Cultural Português, em Luanda. O Homem Que Plantava Aves surge 4 anos depois do lançamento de Fátussengóla, O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas (contos).

Caroline Eulália, escritora e crítica brasileira, convidada a fazer uma breve apreciação da referida obra, referiu que, “no conto que dá nome à obra, Gociante Patissa desenvolve uma narrativa sobre o povo rural, marcada pela crítica e fino humor, que procura “desconstruir” preconceitos existentes na sociedade relativamente aos deficientes, a quem são subtraídos direitos.

Caroline Eulália explicou que, com a característica de um escritor parodista, Gociante Patissa cria as suas histórias com uma escrita concisa e leve, porém estruturada pelas palavras de um homem que enxerga para além da construção social, tão aceite, mas também com necessidade de ser repensada”. No entender da especialista, “acreditava-se que a limitação motora seria praga dos deuses por eventual erro dos ancestrais”.

Adiantou que nos meios rurais, onde as pessoas dotadas são pelo trabalho, Lumbombo (personagem), visto como um ser frágil, não era bem o tipo que povoava fantasias. Lumbombo recebia por terceiras mãos o recado de que o boi havia morrido na lavoura.

O autor Daniel Gociante Patissa nasceu na comuna do Monte-Belo, município do Bocoio, província de Benguela, em Dezembro de 1978. Tem licenciatura em Linguística, especialidade de Inglês, pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Katyavala Bwila (ex-Agostinho Neto).

É membro efectivo da União dos Escritores Angolanos. Foi o laureado do Prémio Provincial de Benguela de Cultura e Artes 2012, na categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas “pelo seu contributo na divulgação da língua local umbundu, na perspectiva das tradições orais, através do conto e novas tecnologias de informação e comunicação”.

Já editou cinco livros, dos quais, Consulado do Vazio (poesia), A Última Ouvinte (contos), Não Tem Pernas o Tempo (novela), Guardanapo de Papel (poesia), e Fátussengóla, O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas (contos).