Guerrilheiros do ELN reivindicam ataque à bomba em Bogotá

Grupo de inspiração marxista diz que a explosão do carro armadilhado, que fez 21 mortos, foi “um acto de guerra legítimo”

O ataque com um carro armadilhado na Colômbia que fez 21 mortos, na semana passada, foi reivindicado esta Segunda-feira pelo Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo de guerrilha de inspiração marxista. Num comunicado, o grupo que está na lista das organizações terroristas da União Europeia e dos Estados Unidos diz que o ataque foi “um acto de guerra legítimo” e pediu o regresso do Presidente Ivan Duque à mesa de negociações. Segundo o grupo, o ataque da passada Quinta-feira teve como alvo uma “instalação militar onde são formados agentes que depois fornecem informações secretas e participam na guerra”.

“A operação contra essas instalações e tropas é legal no âmbito das leis da guerra e não houve vítimas não-combatentes”, disse o grupo. O carro armadilhado explodiu numa academia da Polícia na capital colombiana, Bogotá, e provocou pelo menos 21 mortos e 68 feridos, muitos deles em estado grave. Foi o atentado mais mortífero em pelo menos dez anos na Colômbia e um dos mais violentos de sempre, marcando o regresso da violência a um país que viveu mergulhado num conflito durante mais de cinco décadas.

O condutor do veículo armadilhado, que entrou na Escola de Cadetes General Santander a alta velocidade e abalroando a barreira de segurança, também está entre as vítimas. José Aldemar Rojas Rodríguez, de 57 anos, foi identificado como o responsável pelo ataque pelo Presidente colombiano. Sabe-se que na manhã de Quintafeira, por volta das 10h locais, José Aldemar Rojas Rodríguez chegou com um jipe à escola de Polícia transportando 80 quilos de explosivos, relataram os jornais colombianos. Segundo testemunhas, o condutor ainda parou na zona de segurança para a revista de rotina, mas acelerou assim que os cães pisteiros assinalaram a carga explosiva.

Para esse dia estavam programadas cerimónias de promoção de oficiais, pelo que estavam presentes vários familiares de agentes. As vítimas foram todos alunos, com idades entre os 17 e os 22 anos. O Exército de Libertação Nacional é composto por cerca de 2000 militantes e é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Em 2016, iniciou conversações de paz com o então Governo de Juan Manuel Santos, em paralelo com as negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) – outro grupo guerrilheiro de inspiração marxista que protagonizou um conflito com o Estado colombiano que se estendeu ao longo de mais de cinco décadas e que espalhou a violência por todo o país.

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