RDC: Como explicar a última reviravolta da União Africana

A República Democrática do Congo (RDC ) aguarda pelo juramento do novo Presidente Felix Tshisekedi. A sua eleição como chefe de Estado foi confirmada neste fim de semana pelo Tribunal Constitucional

O juramento de Felix Tshisekedi como Presidente da RDC foi originalmente agendado para Terça- feira, 22 de Janeiro, hoje, mas pode ser adiado para Quinta-feira. Uma investidura que não cessa, no entando, os protestos do campo de Martin Fayulu que ainda reivindica a vitória. Na quinta-feira passada, os Chefes de Estado da União Africana tinham dúvidas sobre a conformidade dos resultados e anunciaram o envio de uma delegação a Kinshasa mas, finalmente, mudaram de tom e adiaram a visita.

A Comissão da União Africana fala agora sobre sua intenção de fazer uma avaliação, que levaria a um relatório que será enviado aos Chefes de Estado na próxima cimeira. Uma mudança real que po- A República Democrática do Congo (RDC ) aguarda pelo juramento do novo Presidente Felix Tshisekedi. A sua eleição como chefe de Estado foi confirmada neste fim de semana pelo Tribunal Constitucional DR DR de ser explicada por vários fatores. DR Primeiro, há a contra-ofensiva diplomática conduzida pela coalizão governante. Três parentes do Presidente Kabila foram mobilizados: o chefe de inteligência civil, o chefe da ANR, Kalev Mutond, visitou Kigali, Barnabé Kikaya, conselheiro diplomático ao Chefe de Estado deslocou-se a Pretória, e o chefe de gabinete, Neemias Mwilanya Wilondja recebeu diplomatas da Comissão da União Africano, que já haviam chegado a Kinshasa.

Todos com a mesma mensagem: a defesa da soberania da República Democrática do Congo tendo como elemento-chave o facto de o Tribunal Constitucional ter decidido no Sábado sobre a divulgação dos resultados eleitorais no âmbito da sua uma obrigação legal. Segundo ponto: é para fazer uma “campanha de charme”, diz uma fonte diplomática congolesa”, com vista a tomada de posse do Presidente Felix Tshisekedi”. Além de tranquilizar a comunidade internacional, explicando que o retorno à ordem constitucional e a coabitação política era irreversível.

Tensões na SADC e AU

As autoridades congolesas não foram as únicas a trabalhar. Isto tem sido particularmente notado no caso na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Na Quintafeira, a declaração da organização sub-regional tinha tomado uma posição oposta a da declaração do Presidente da União Africana, o ruandês Paul Kagame. A SADC exigiu que a comunidade internacional respeitasse a soberania do Congo. Estados como a Tanzânia e o Zimbabué opuseram-se, em particular, à Zâmbia e a Angola, que expressaram não só dúvidas sobre os resultados, mas também receios de uma deterioração da situação de segurança. Em particular, tem havido uma guerra de influência sobre o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, com os seus homólogos da SADC, bem como com o partido governista do ANC na África do Sul, de que alguns têm relações obscuras com Kigali.

Finalmente, tanto a SADC como a África do Sul felicitaram o Presidente Tshisekedi no Domingo e apelaram aos actores políticos para que respeitassem a decisão do Tribunal Constitucional. Finalmente, as últimas pressões ocorreram dentro da própria Comissão da União Africana. Segundo fontes diplomáticas africanas, os comissários acusaram Moussa Faki, o presidente, de ter “torcido o pescoço” das regras da União. Com, no fundo, uma batalha de influência, dizem-nos, entre a França, perto de Paul Kagame, e a Argélia, muito influente e preocupada, como outros países, com a soberania. Este é também o caso do Egipto, cujo Presidente Sissi assumirá a liderança da União Africana em Fevereiro.

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