Tráfico de seres humanos ‘força’ surgimento de Associação no Sul de Angola

Trata-se de uma associação não lucrativa denominada ‘Ame Name No Munu’ ou seja ‘Eu Também Sou Pessoa’, cujo objecto é defender os direitos humanos e educar as comunidades rurais neste domínio, sobretudo na região Sul de Angola

Depois de uma semana de a organizaçãonão governamental Human Rights Watch (HRW) ter considerado o registo de “progressos significativos” em várias frentes dos direitos humanos em Angola, um grupo de activistas da região Sul levantou fortes receios em relação às constantes violações que se assistem naquela região. O activista Gaudêncio Félix Yakuleinge revela existir um quadro ‘insustentável’, marcado por constantes violações que, na sua maioria, ocorrem sob o olhar silencioso das autoridades, bem como dos órgãos de imprensa locais.

“Morrem pessoas e são retirados os seus órgãos. O último caso aconteceu na semana passada, em Ondjiva, e envolveu uma criança de 6 anos, sem que as autoridades dessem um esclarecimento às pessoas para melhor prevenção”, disse. Yakuleinge acrescentou que em jeito de resposta, face a situação ‘periclitante’ de casos, na semana passada, o grupo de activistas desta agremiação realizou uma marcha de protesto pelas principais artérias da cidade capital do Cunene, Ondjiva, exigindo das autoridades esclarecimentos sobre os casos que têm ocorrido.

Aquele activista dos direitos humanos anunciou, face ao quadro actual, a criação de uma associação que se vai bater na defesa e educação sobre direitos humanos intitulada de ‘Ame Name No Munu’ (eu também sou pessoa, em português). A agremiação, que terá numa primeira fase uma abrangência regional, contemplará as províncias da Huíla, Namibe e Cunene e já conta com uma comissão instauradora, sob coordenação de um dos seus fundadores, o padre Pio Wakussanga. Em relação ao foco de actuação, a associação ‘Ame Name No Munu’ pretende dedicar-se afincadamente na resolução dos conflitos de terras ‘latentes’ ao nivel das comunidades rurais, violação de crianças e mulheres nas zonas rurais, inclusive os casos que se vão tornando mais frequentes de tráfico de seres humanos. A agremiação conta com a parceria da Associação Construindo Comunidade (ACC)

HRW pede mais atenção das autoridades

Entretanto, o ultimo relactorio da Human Rights Watch (HRW) adverte que se o Governo de João Lourenço não tomar medidas que, de facto, combatam a violação dos direitos humanos em dois anos, concluir-se-á que não há nenhuma diferença entre o regime actual e o de José Eduardo dos Santos. A luta contra a corrupção é referida como nota positiva, com destaque para “as investigações que já levaram à detenção de vários ex-governantes e dirigentes do MPLA, no poder desde 1975, incluindo familiares do antigo Presidente José Eduardo dos Santos”. Do lado negativo, a HRW aponta a manutenção das práticas de detenção arbitrárias, execuções extra judiciais, a falta do direito a uma habitação condigna, limitações à liberdade de expressão e de imprensa, violações à orientação sexual, corrupção e tratamento de imigrantes.

O Pais

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