Alô vizinho

Diz-se que vizinho é família. No Caso de Angola, é preciso ter memória, todos os movimentos de libertação nacional tiveram nos países vizinhos um porto- seguro, o apoio necessário para a Luta. Até há bem pouco tempo, na guerra civil, a UNITA também teve em Mobutu, do Zaire, um grande apoio. Aliás, parte do fi m da guerra angolana começou a ser resolvida com intervenções e o desfecho do confl ito na RDC (ex-Zaire). A balança pendeu para o lado do Governo angolano. O resto é história. Hoje, a RDC está a num processo de transição democrática do poder, pacífi ca pela primeira vez, resultante de eleições, independentemente de serem contestadas ou não. Pela primeira vez, amanhã, a chegada ao poder de um novo Presidente não será à força da bala e da faca. Ao preço de sangue. João Lourenço, o Presidente angolano, felicitou ontem Felix Tshisekedi, o seu novo homólogo congolês, fê-lo depois de outros presidentes, cauteloso porque problema no Congo é problema em Angola (coisa de vizinhos), mas sabendo que se trata de um vizinho que deve ser um parceiro. Porque representa um mercado enorme para as empresas angolanas, e porque é um país para seter como parceiro. A RDC tem população maior que a angolana, tem mais quadros, tem mais riqueza e é um território maior. Um vizinho para estimar e cooperar, para o bem de todos.