Congressistas querem resolver paralisação do Governo fora da casa Branca

A solução deverá ser conseguida sem a interferência do Presidente Donald Trump, que disse estar orgulhoso pelo ‘shutdown’. A paralisação deixa mais de 800 mil funcionários públicos sem salário

Um mês após o início da paralisação parcial do Governo dos EUA, democratas e republicanos começam a sofrer pressão pública para encontrar uma solução para a crise dentro do Congresso. As sondagens indicam que a maioria dos norte-americanos não compreende esta situação que dura há 31 dias, paralisa várias agências federais e deixa mais de 800 mil funcionários públicos sem salário.

Mas dentro dos dois partidos, cresce o sentimento de que qualquer solução deverá ser conseguida no Congresso, fora da Casa Branca e sem a interferência do Presidente Donald Trump, que disse estar orgulhoso pelo ‘shutdown’. Ao longo desta Terça-feira, 22, a maioria republicana no Senado tentou uma nova proposta para desbloquear o impasse negocial com os democratas. A solução do porta-voz do Senado, o republicano Mitch McConnell, passava por um pacote de medidas para a imigração, que inclui a salvaguarda temporária de direitos de imigrantes em situação ilegal (os ‘dreamers’) bem como acções de segurança na fronteira, tentando opções que agradem aos democratas e que satisfaçam o Presidente.

Contudo, os democratas anunciaram que recusariam esta proposta, por também incorporar a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, uma imposição de Donald Trump, que consideram ser inútil, porque ineficaz. No Domingo, Donald Trump referiu- se à porta-voz da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, como uma “radical” e “irracional”, procurando atribuir à maioria democrata a responsabilidade pela crise. Mas mesmo no Senado, dominado pelos republicanos, a situação é adversa para Trump, já que dificilmente conseguirá convencer os 60 senadores necessários para uma solução legislativa que ponha fim ao ‘shutdown’. Donald Trump tem escrito na rede social Twitter que está orgulhoso pela razão do ‘shutdown’, dizendo que a segurança dos americanos deve estar “em primeiro lugar”.

Mas são vários os congressistas, de ambos os partidos, que consideram que a intransigência do Presidente deve ser contornada, através de negociações no Congresso. Se nada for acordado, entre o Congresso e a Casa Branca, na próxima Sexta-feira, os 800 mil funcionários perderão o seu segundo salário (que nos EUA é quinzenal) e aumentará a probabilidade de uma radicalização de posições entre as duas partes. Donald Trump tem ainda a hipótese de declarar situação de emergência nacional e conseguir os 5,7 mil milhões de dólares (cerca de cinco mil milhões de euros) para o muro na fronteira, sem necessitar de uma aprovação do Congresso, mas o Presidente já disse por várias vezes que quer evitar esse cenário, enquanto os democratas anunciam que, se ele for colocado, o contestarão em tribunal, por dizerem que se trata de um excesso de competências executivas. A maioria democrata na Câmara dos Representantes tem desafiado Donald Trump a apresentar soluções alternativas para a segurança nas fronteiras, que não passe pela construção do muro, mas a pressão política sobre este tema não tem permitido a Trump abrir mão da sua exigência.

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