Tshisekedi é empossado amanhã

O congo está à beira de sua primeira transferência de poder pacífica e democrática desde a Independência em 1960, depois de o Tribunal Constitucional ter confirmado no Domingo a vitória eleitoral de Felix Tshisekedi, embora ainda haja dúvidas sobre o resultado

POR: Saleh Mwanamilongo

Tshisekedi, filho do falecido e carismático líder da Oposição Etienne, será empossado na Quinta-feira. Os 80 milhões de pessoas do Congo não parece estarem a prestar atenção ao pedido de Martin Fayulu para saírem à rua em protestos não-violentos, e os vizinhos africanos começaram a felicitar o vencedor. Pouco depois da declaração do tribunal, antes do amanhecer, o líder da Oposição, Tshisekedi, disse que a decisão do Tribunal de rejeitar as alegações de fraude eleitoral e declará-lo Presidente foi uma vitória para todo o país. “É o Congo que venceu”, disse Tshisekedi, falando aos seus apoiantes.

“O Congo que vamos formar não será um Congo de divisão, ódio ou tribalismo. Será um Congo reconciliado, um Congo forte que se concentrará no desenvolvimento, na paz e na segurança”. Os apoiantes do seu partido, o UDPS, celebraram nas ruas de Kinshasa. Tshisekedi, tido por muitos como pouco experiente, liderará o país com um Parlamento dominado pelo partido afecto ao ex-presidente Kabila, que obteve maioria nas eleições legislativas e provinciais. A nova Assembléia Nacional será instalada a 26 de Janeiro.

No entanto, a vitória de Tshisekedi foi reijeitada pelo candidato rival da Oposição, Fayulu, que declarou ser “o único presidente legítimo” do Congo e pediu que o povo congolês protestasse pacificamente contra um “golpe de Estado constitucional”. Se Fayulu conseguir lançar protestos generalizados, poderá manter o país numa crise política que fervilha desde as eleições de 30 de Dezembro. O tribunal rejeitou o pedido de Fayulu de recontagem dos votos, afirmando que Tshisekedi venceu com mais de 7 milhões de votos, ou 38%, e Fayulu recebeu 34%. O Tribunal Constitucional da RDC disse que Fayulu não apresentou provas para sustentar as suas afirmações de que ele havia vencido facilmente com base nos dados vazados atribuídos à Comissão Eleitoral.

O mesmo também considerou infundada outra medida, a decisão de última hora da Comissão Eleitoral de barrar cerca de 1 milhão de eleitores em zonas sob um surto mortal do vírus Ebola. Fora do tribunal, Fayulu e os seus partidários alegam um extraordinário acordo de bastidores do Presidente Joseph Kabila para fraudar a votação a favor de Tshisekedi quando se viu que o candidato do partido governante não podia vencer. “Não é segredo para ninguém dentro ou fora de nosso país que vocês me elegeram Presidente”, com 60% dos votos, disse Fayulu, que instou o povo congolês e a comunidade internacional a não reconhecer Tshisekedi como Presidente. O Governo do Congo considerou as declarações de Fayulu uma vergonha.

“Consideramos que é uma declaração irresponsável, politicamente altamente imatura”, disse o porta-voz Lambert Mende à Associated Press. Muitos temem que a rejeição do tribunal ao apelo de Fayulu possa levar a mais instabilidade numa nação que já sofre com as acções dos rebeldes, violência comunitária e o surto de Ebola. “Isso pode produzir algumas manifestações, mas não será tão intenso como em 2017 e 2018”, quando os congoleses pressionaram Kabila a afastar-se durante DR os dois anos de atraso nas eleições, disse Andrew Edward Tchie, pesquisador do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. A União Africana disse ter “adiado” a sua missão urgente para o Congo, prevista para Segunda-feira, depois de ter registado “sérias dúvidas” sobre a votação e feito um pedido sem precedentes para que o Congo adiasse os resultados finais.

Alguns vizinhos, nomeadamente o Ruanda, estão preocupados com a violência que pode transbordar através das fronteiras do Congo, um país rico em minerais essenciais para smartphones em todo o mundo. A declaração da UA, nomeadamente, não nomeou nem felicitou Tshisekedi, apenas tomando nota da decisão do tribunal. Chamou “todos os interessados a trabalhar pela preservação da paz e estabilidade e pela promoção da harmonia nacional”. Vários líderes africanos felicitaram Tshisekedi, incluindo os Presidentes da África do Sul, Quénia, Tanzânia e Burundi. As 16 nações da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, depois de hesitarem nos últimos dias com o apoio a uma recontagem, pediram a todos os congoleses que aceitassem o resultado da votação. O Presidente da Tanzânia, John Magufuli, num post no Twitter, disse : “Peço a vocês que mantenham a paz”.

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