Economia Angolana precisa de mais apoio da banca comercial

O peso do crédito bancário ao sector privado da economia nacional em relação ao PIB situa-se em torno dos 14%, uma percentagem baixa se comparada com as principais economias de rendimento médio. A afirmação é do ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior

POR: Iracelma Kaliengue

Manuel Nunes Júnior discursou na Conferência sobre Financiamento do Sector Privado, ontem, promovida pelo Banco Nacional de Angola (BNA) e apontou, em jeito de comparação, países como o Brasil, África do Sul e Marrocos, onde o peso do crédito à economia no PIB atinge valores superiores a 50%. Manuel Nunes Júnior pediu apoio aos bancos comerciais para que o crédito à economia aumente com vista a levar o país a uma rota de rápido crescimento económico, aumentado a produção nacional, emprego e rendimentos dos angolanos.

Na sua intervenção, disse que “o BNA realizou um estudo em que identificou os principais constrangimentos para concessão de crédito pelos bancos comerciais ao sector privado, quer do lado da procura, quer do lado da oferta”, avançou. Acrescentou que o estudo aponta que “do lado da procura, isto para os tomadores dos empréstimos, os principais constrangimentos são as elevadas taxas de juro e as garantias exigidas pelos bancos”, enumerou. Já para o lado da oferta, no caso os bancos comerciais, os principais constrangimentos encontrados consistem na falta de contabilidade organizada nas empresas e o baixo nível de literacia financeira. Para o governante, é preciso que sejam ultrapassados os constrangimentos para que o crédito possa fluir na economia, tendo o Estado um papel importante a jogar.

Manuel Nunes Júnior voltou a salientar que a economia angolana está dependente do petróleo e que precisa de ser diversificada, reconhecendo ainda que “ é preciso sair-se da simples retorica e encarar o aumento da produção nacional e a diversificação da economia como imperativo nacional”, realçou. Na sua comunicação, o ministro de Estado disse ser preciso que se edifique uma economia baseada num crescimento forte e sustentado, o que vai fazer com que se acabe com a dependência a um só produto que garante cerca de 95% dos recursos externos do país e cerca de 70% de toda a receita tributária de Angola. Declarou ainda que o Programa de Estabilização Macroeconómica está a ser implementado desde Janeiro de 2018 e visa essencialmente restaurar a confiança no mercado e está a ser conduzido com sucesso. “Este Programa de Estabilização Macroeconómica está agora, como sabemos, a ser apoiado técnica e financeiramente pelo Fundo Monetário Internacional”, lembra.

Mais de USD 4 milhões do BIc para a economia

O presidente do Conselho de Administração do Banco de Investimento e Crédito (BIC), Fernando Teles, fez saber, à margem da conferência realizada pelo BNA, que o banco que dirige concedeu à economia mais de 4 milhões em créditos para o sector privado e para o Estado. Teles reconheceu o apelo feito pelo ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, no sentido de os bancos apoiarem mais a economia, no entanto, retorquiu que “gostava também de ver os governantes a visitarem as empresas, sobretudo ir às fazendas ver o que estão e o que não estão a produzir com base nos projectos apresentados. Só assim poderá haver o crescimento que se pretende”, disse.