Grevistas do CFL dizem-se impedidos de retomar os serviços mínimos

Segundo os queixosos, há funcionários que chegaram a pernoitar nas instalações da empresa para na manhã seguinte retomarem os trabalhos. Augusto Osório, o porta- voz da instituição, refuta as acusações e sublinha que, legalmente, os serviços em causa nem deveriam ser paralisados

Os trabalhadores grevistas dos Caminhos-de- Ferro de Luanda (CFL) alegam que estão a ser impedidos pela direcção da empresa de retomar os serviços mínimos, com realce para a circulação de dois comboios diários, um no período da manhã e outro à tarde. Segundo o responsável do gabinete jurídico do sindicado, Ditoloca Kinkela, os seus colegas escalados para garantirem esses serviços passaram a noite nas instalações da empresa para nas primeiras horas do dia meterem as máquinas em movimento, mas foram barrados. “Nós já deveríamos retomar os serviços mínimos ontem (Terça-feira), mas foi-nos rejeitado pela direcção do Conselho de Administração da empresa”, disse o sindicalista, referindo que o director de exploração, por orientação do responsável máximo da empresa, proibiu-os de mexer nos comboios.

Ditoloca Kinkela disse que a paralisação dos serviços mínimos deveu-se à má interpretação dos trabalhadores para pressionar a entidade empregadora, ao que a Comissão Sindical viu-se no dever de corrigir o erro para a sua retoma. O interlocutor frisou que, com a disponibilidade dos seus colegas para voltar ao trabalho, não existem razões suficientes para o Estado mandar vir trabalhadores de outras províncias. Em virtude dos supostos “obstáculos”, os trabalhadores elaboraram um documento que pretendem endereçar ao Instituto dos Caminhos-de-Ferro de Luanda, Ministério dos Transportes e a 9ª Comissão da Assembleia Nacional.

“Serviços mininos não deviam ser suspensos”

O porta-voz dos Caminhos-de- Ferro de Luanda, Augusto Osório, desmente as acusações dos trabalhadores e sublinhou que os grevistas cortaram os serviços mínimos unilateralmente. Estes serviços, lembrou o responsável, estão consagrados na Lei da Greve, acrescentando que os trabalhadores não precisam de autorização alguma para voltarem ao trabalho. “Ninguém está a impedir nada. Eles pararam usando o entendimento que têm da lei e para retomarem não precisam de pedir autorização a ninguém”, disse Augusto Osório.

O responsável disse que a direcção tem-se pautado pela lei na resolução dos problemas, a mesma conduta que pede aos grevistas dos CFL. Importa referir que diariamente a empresa perde, só nos transporte suburbano de passageiros de Luanda a Catete, um milhão e 500 mil Kz. Nestes valores não estão incluídos o transporte de carga e as viagens para o Cuanza-Norte e Malanje. A greve no CFL começou no dia 14 do corrente mês, estando agora na segunda semana. O pomo da discórdia entre as partes consiste no facto de a empresa alegar que não tem condições para aumentar os salários, na ordem dos 80%, como exigem os trabalhadores.

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