Pagamento no acesso escolar contribui para fraco aproveitamento dos alunos

Tal facto foi avisado por alguns psicólogos escolares e não só, que argumentaram tratar-se de uma série de comportamentos comprometedores, que começam no perfil de entrada e culminam no de saída

As sucessivas queixas de pais e encarregados de educação que se registam, um pouco por todo país, em quase todos inícios de ano lectivo, levaram alguns psicólogos a alertarem as autoridades do sector da Educação sobre o perigo que a cobrança de dinheiro nas matrículas representa, ao ponto de especificarem que tal acto contribui para o aproveitamento negativo dos discentes.

“A princípio, deve-se dizer que é um fenómeno que deve ser combatido, pois prejudica, não só o aluno como também o próprio professor ou outro trabalhador da escola, do ponto de vista comportamental e psicológico”, referiu a docente universitária Ana Paula Cassoma, tendo asseverado que a criança é um ser em crescimento e aprende com todas as vivências.

Ana Paula Cassoma acrescentou dizendo que, se as circunstâncias da sociedade mostrarem aos miúdos que os resultados por si almejados se alcançam pagando, elas poderão seguir essa fórmula para vida inteira, arriscando-se a porem-na em prática em todas as esferas sócio-políticas, económicas ou culturais.

“Às vezes, a criança tem talento e habilidade, mas o facto de notar que existe um proteccionismo exagerado da parte do professor na relação com ele, em detrimento de outros colegas, que, por sinal, podem ser seus amigos e companheiros de turma, relaxa e não vai adquirir o esforço que o processo de crescimento impõe.”, detalhou a também consultora do Hospital Geral de Luanda.

Segundo ela, o referido fenómeno da “gasosa” arrasta consequências gravíssimas no comportamento dos pequenos, quando atingirem a vida adulta, pois, até nessa fase da vida, terão concebido atitudes e carácter que se resumam em lutar, desmedidamente, por todas as suas ambições, utilizando a via do dinheiro ou outras que não estejam muito longe disso.

Para demonstrar que a fórmula que apresentou dificilmente falha, a psicóloga clínica referiu-se aos casos que chegam ao seu consultório, para dizer que os alunos chegam a confessar que bloquearam no que toca à assimilação, enquanto poucos não são os funcionários que reconhecem atingir apenas cargos de topo por via de pagamento ou vassalagem.

“Os primeiros, aprovando sem saber e os segundos ocupando postos de chefia sem as competências requeridas, depois entram em conflito consigo mesmos e atiram a culpa a problemas de memórias, causa pela qual são trazidos por familiares e amigos aos nossos consultórios.

Tendência de “se matar” a criança Relativamente às desvantagens que o processo pode causar ao professor, um psicólogo escolar, que pediu para não ser identificado por razões pessoais, assegurou que o docente sabe, de antemão que, procedendo desta forma, está a matar uma criança. “Então, isso vai fazer que ele, sob aquilo que os populares preferem entender como peso de consciência, poderá alterar o seu comportamento de forma negativa, principalmente quando se deparar com as vítimas teóricas do processo (os pais e os encarregados).

Mariano Tchipita acha que a criança cujos pais pagaram o ingresso na escola poderá ter uma atenção de interesse diferenciado por parte do professor, influenciando, portanto, o seu comportamento, de modo a desembocar em rendimento negativo”.

O especialista adianta que, ao notar tal retrocesso, o docente não terá coragem de chamar o encarregado para o responsabilizar e recomendar-lhe um acompanhamento redobrado, por causa do compromisso teórico assumido no princípio do ano lectivo.

Por outro lado, o académico explicou que a tendência do educador passaria por esforçar-se para recuperar a criança, sob pena de prejudicar os cuidados que deve prestar aos demais ou se deixar levar pela dinâmica do garoto, esperando que, no final, os pais voltem a pagar ou oferecer-lhe qualquer coisa, em troca da passagem e aprovação para a classe subsequente.

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