Pobres, mas saudáveis

Em Portugal as autoridades de saúde estão a tentar que a indústria alimentar e os distribuidores reduzam a quantidade de sal nos alimentos. Para o pão, por exemplo, pretende-se que em cada cem gramas eles levem apenas um grama de sal. Depois vêm alguns lacticínios e outros processados, como o fiambre. Tudo isto para ter menos pessoas doentes no futuro. E, com isto, poupar dinheiro ao Estado, com a subsequente diminuição da assistência médica e medicamentosa, sem ter apenas a obesidade na mira, há também a hipertensão, por exemplo. Por cá, isto não nos interessa minimamente, prevalece a ideia de que pobre não escolhe o que comer, a prioridade é encher a pança, com o quê? Só encher. Vamos no caminho errado, porque nos alimentamos mal, nos envenenamos e depois adoecemos. Aqui morre-se cedo, perde-se força de trabalho no momento em que ela seria mais produtiva. E se somos pobres, mais razões temos para cuidarmos da saúde, porque o tratamento é caro, já o sabemos. Mas estas coisas educam-se desde pequeno, não com as merendas escolares empacotadas e enlatadas, e muito menos com as cantinas escolares, onde as há, cheias de açúcares, batatas de pacote e daquelas bombas atómicas que chamam de hambúrguer, com ovos, molhos, mortadela, batata-frita, chouriço… bela conta estamos a arranjar.

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