RESEARCH Atlântico: As perspectivas de crescimento da economia mundial

O fundo monetário internacional (FMI) reviu em baixa as projecções de crescimento da economia mundial referente a 2019 para 3,5%. A correcção das perspectivas surgem na sequência da instituição de Bretton Woods ter estimado no World Economic Outlook (WEO) de Outubro de 2018 uma taxa de crescimento de 3,7% para 2019. Na actualização do WEO divulgada em Janeiro do ano corrente, o FMI também reduziu as estimativas para 2020 em 0,1 pontos percentuais (p.p.), para 3,6%, que representa uma ligeira expansão face a 2019, mas abaixo dos 3,8% apurados em 2017.

As incertezas referentes ao futuro desempenho das relações comerciais multilaterais, em virtude das tensões comerciais desencadeadas pelos EUA em 2018, aliada à deterioração das condições financeiras internacionais, com o aumento das taxas de juro de referências e o elevado nível endividamento nas economias mais avançadas, condicionaram a revisão das previsões do FMI. Com efeito, a instituição assume ter incorporado nas actuais projecções as tarifas impostas pelos EUA às importações da China, de 25% sobre 50 mil milhões USD e 10% de tarifas adicionais sobre 200 mil milhões USD, tal como, o aumento de 5% para 10% em 60 mil milhões USD de tarifas impostas às importações norte-americanas pelo governo de Pequim.

Assim sendo, o FMI estima que as trocas comerciais entre os países avançados de bens e serviços poderão reduzir 0,1% em 2019 e 2020, enquanto as trocas entre os países emergentes deverão estagnar em 2019 e crescer 0,1% em 2020. O desempenho poderá pressionar o movimento dos fluxos de capitais internacionais e condicionar os investimentos, com impactos no dinamismo da economia mundial, com particular destaque para as economias emergentes. Por conseguinte, a região da África Subsariana viu as suas projecções de crescimento revistas em -0,3 p.p. para os anos de 2019 e 2020, fixando-se em 3,5% e 3,6%, respectivamente, como reflexos da redução do preço internacional do petróleo, com as economias da Nigéria e de Angola a serem as mais penalizadas e a justificarem a desaceleração da economia da região.

Paralelamente, as projecções da África do Sul mantiveram-se inalteradas face a Outubro último. Destaca-se que para o ano corrente as projecções para o preço médio do barril do petróleo foi revisto em baixa, cerca de 14%, de 68,58 USD/ barril em 2018 para 58,95 USD/barril em 2019. Outrossim, a desaceleração da economia chinesa ao longo do ano de 2018 apresentou-se como um dos principais riscos à dinâmica do crescimento mundial. O desempenho da maior economia asiática tem a virtude de condicionar os preços das matérias-primas – Por se afigurar como um dos grandes consumidores – facto que poderá condicionar os preços nos mercados internacionais das commodities e impactar no crescimento das economias emergentes. Com efeito, as economias emergentes viram a sua estimativas de crescimento revistas em baixa, também em virtude de constrangimentos de política económica interna, condições de financiamento externas menos favoráveis e apreciação do dólar.

Relativamente à economia da Zona Euro, o FMI prevê uma desaceleração da economia de 0,3 p.p., para 1,6% como reflexo, fundamentalmente, das inovações introduzidas na indústria automóvel alemã e da redução da procura doméstica da maior economia do bloco europeu. Sendo que, os riscos soberano e financeiros na Itália e as incertezas sobre o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, também pesaram nas estimativas do FMI. Outrossim, os protestos públicos e a revisão da produção industrial na França, também poderão condicionar o crescimento na região. Por seu turno, a economia norte-americana deverá manterá as taxas de crescimento de 2,5%, a beneficiar ainda dos estímulos fiscais aprovados em 2017 pela nova Administração. Contudo, no geral, as economias avançadas deverão desacelerar em 0,1 p.p., situando-se em 2,0%. O FMI conclui que os riscos de abrandamento da economia mundial apresentam-se como reais, mas as perspectivas de um abrandamento mais profundo são reduzidas, e poderão ser mitigados através do alcance de acordos comerciais mutuamente vantajosos e que restabeleçam a confiança dos investidores e removam as incertezas quanto a trajectória ascendente de medidas comerciais proteccionistas.

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