Asia Bibi é uma mulher livre. No corredor da morte oito anos, pode finalmente abandonar o Paquistão

foi condenada à morte por blasfémia em 2010, esteve numa solitária praticamente oito anos e foi absolvida em Outubro de 2018. O Supremo do Paquistão confirmou a absolvição nesta Terça-feira e Asia Bibi está finalmente livre para sair do país

Com o silêncio à volta. Foi assim que Asia Bibi, uma cristã paquistanesa, passou praticamente os últimos oito anos da sua vida. Numa solitária, abraçada pelo ferro frio numa qualquer catacumba no Paquistão, narra o EXPRESSO. Em 2010, após uma troca de palavras azedas com umas vizinhas, foi acusada de insultar o profeta Maomé. Bibi foi condenada à morte por blasfémia. A paquistanesa recorreu. O caso ganhou outros contornos quando Salman Taseer, um governador regional, levantou a voz por ela, acabando assassinado pelo próprio guarda-costas (que entretanto foi executado).

No último dia de outubro de 2018, o Tribunal Supremo do Paquistão reverteu a sentença e absolveu aquela mãe de cinco filhos. Sete dias depois, Asia Bibi foi libertada. Apesar da libertação, a paquistanesa não esteve realmente livre, pois foi mantida num local secreto, para evitar que os extremistas que a ameaçavam, e ainda ameaçam, de morte agissem. O advogado, Saiful Malook, também abandonou o Paquistão, rumando à Holanda. Registaram-se vários protestos violentos no Paquistão após a decisão do tribunal.

De acordo com o “Guardian”, os extremistas colocaram em marcha, em Novembro, a caça à família de Bibi na zona onde viviam, batendo de porta em porta, com fotografias da paquistanesa. A blasfémia, conta este artigo do Expresso sobre o caso, é uma realidade extremamente sensível no Paquistão e muitas vezes existem acusações não provadas que resultam em linchamentos. O Supremo confirmou a absolvição esta Terça-feira. Asia Bibi está livre para abandonar aquele país, algo que as filhas já fizeram: terão viajado para o Canadá, um dos países que lhes ofereceu asilo.