Associação dos Cegos recebe representantes da União Africana na Quinta-feira

Além da constatação “in loco” e avaliação dos projectos desenvolvidos pela associação dos cegos em 2018, serão ministrados seminário de capacitação para os membros do corpo directivo da organização

A Associação Nacional dos Cegos e Amblíopes de Angola (ANCAA) receberá nesta Quinta- feira (31) dois representantes da União Africana dos Cegos (AFUB) para avaliação do sector, revelou ontem, em Luanda, o presidente da instituição, Venceslau Francisco. De acordo com o responsável, trata-se do director de projectos de Associações de pessoas portadoras de deficiência visual a nível da comunidade de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Lucas Amoda, e o supervisor de projectos, Jorge Nanuto. A visita de dois dias, de 31 de Janeiro a 02 de Fevereiro, visa constar “in loco” bem como proceder a avaliação dos projectos que foram desenvolvidos pela AANCA em 2018, com destaque para o programa de alfabetização para deficientes visual, em Braille e saúde ocular assim como aqueles que serão desenvolvidos este ano.

“Vamos realizar trabalhos em conjunto e, na oportunidade, os membros do corpo directivo da associação vão receber capacitação técnica para melhor desempenhar as suas funções”, detalhou. Questionado se associação prevê implementar novos programas no ano em curso, Venceslau Francisco disse existirem “esboços” que poderão sair do papel depois do referido encontro. Para si, a vinda dos mesmos dos altos-responsáveis da União Africana dos Cegos (AFUB) demonstra oportunidades que se criem mais estratégias de inclusão para os portadores de deficiência visual.

Saúde ocular beneficiou 2000 pessoas em 2018

Ao fazer um balanço das actividades realizadas o ano transacto, o presidente da AANCA, Venceslau Francisco, considera positivo., tendo destacado que no âmbito do projecto saúde ocular realizado na província do Uíge, em que mais de duas mil pessoas foram atendidas de forma gratuita, enquanto outras 300 beneficiaram de cirurgia. Ao passo que, por intermédio do projecto de alfabetização inserido nas 18 províncias do país, 200 pessoas aprenderam a ler e a escrever em Braille, nomeadamente os que nascem com a deficiência e estão fora do sistema de ensino, bem como aqueles que ao longo do tempo adquiriram tal condição e tiveram de se readaptar a uma “nova forma de viver”. Nesta vertente, pode ainda destacar-se o curso de Actividades da Vida Diária, designado de “AVD”, no qual os formandos aprendem a desenvolver as habilidades domésticas como lavar a roupa, cozinhar, engomar e vestir-se de forma a tornaram-se mais independentes.

Apoios vêm da Noruega

Sobre o assunto, importa realçar que o referido curso é promovido gratuitamente pela ANCAA, com o apoio da Associação Norueguesa de Cegos e Amblíopes (de sigla NABP), fruto de uma parceria que já dura há dez anos. Além de Luanda, a formação é ministrada nas províncias do Uíge, Malanje e Bengo, onde a referida associação está instalada. As turmas são formadas por 15 alunos, um número que Madalena Neves considera inferior ao estabelecido como meta pela Associação. Entretanto, realçou que tal facto se deve aos elevados gastos com a deslocação dos formadores e a compra dos materiais necessários. Em Fevereiro, a ANCA renovou o protocolo de cooperação com a Associação Norueguesa de Cegos e Amblíopes. Venceslau Francisco afirma que há boa vontade para se continuar a desenvolver os projectos. Entretanto, há escassez de recursos, uma vez que dependem apenas de um doador internacional. A Associação Nacional dos Cegos e Amblíopes de Angola foi criada em 1992 e tem representação nas 18 províncias do país com mais de três mil associados

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