Aumento da produção pode encalhar na falta de energia e água e nos impostos

Os impostos sobre a produção nacional e o fraco fornecimento de energia e de água podem pôr em causa o objectivo do Executivo de redução das importações por via do aumento da produção nacional. O acesso ao crédito para empresários é outro problema citado por Silvestre Francisco e Filomena de Oliveira

O Executivo deu início no passado dia 28, Segunda-feira, à realização de um ciclo de palestras sobre o aumento da produção nacional e redução das importações, com realce para as despesas públicas. Em reação, o economista Silvestre Francisco não tem dúvidas de que “o aumento dos impostos e a falta de energia e de água corrente, nos maiores centros de produção, pode perigar o desejo do Executivo de aumento da produção e reduzir a dependência externa no fornecimento de bens de consumo”, acautelou. Cita o caso dos pólos industriais existentes no país e que ainda precisam de infra-estruturação, factor que faz com que eles não produzam o esperado.

A retirada das subvenções de alguns bens e serviços, processo em curso no país, pode, de acordo com Silvestre Francisco, reduzir ainda mais o poder de compra dos cidadãos. “Mesmo que haja reajuste salarial o cidadão não terá como comprar. O seu poder de compra estará cada vez mais reduzido”, considera, o economista. Todavia, ressalva que trata-se de uma medida que se aplica a um país que não tem produção em grande escala, como é o caso de Angola. No entanto, defende que a redução das importações é um processo para ser feito de forma ponderada. “Na medida em que formos aumentando a produção, temos que pensar também no exterior, refiro-me à exportação. Com efeito, temos de ter mais incentivos fiscais”, defende.

Na sua abordagem sobre o assunto, a empresária Filomena Oliveira começa por saudar a iniciativa do Executivo, para depois dizer que “ela peca por começar de cima e não de baixo. Não podemos continuar a receber documentos acabados para discutir. Temos que ter propostas”, defende. A também responsável da Confederação Empresarial de Angola e representante da AAPCIL em Luanda, entende que o exercício de auscultação devia começar nas comunas, municípios, províncias e só depois a nível nacional. “Não foi apresentado um estudo concreto em relação à estratégica que permitirá o aumento da produção nacional e a redução das importações. Portanto, embora seja boa a iniciativa começamos do topo”, reiterou.

Filomena Oliveira é de opinião que deve haver mais incentivos aos empresários e menos impostos, pois asfixiam quem quer produzir no país. A responsável associativa contraria mesmo o ministro de Estado e do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, em relação ao papel do empresariado e da banca no desenvolvimento nacional. “Não é normal que o ministro de Estado passe a responsabilidade do crescimento aos bancos e ao empresariado. Tudo começa no Orçamento Geral do Estado, com incentivos fiscais e a criação de um bom ambiente de negócios por parte do Executivo”, disse, sublinhando que o fraco fornecimento de energia e água aos pólos industriais constitui factor de estrangulamento da produção. Para ela, as cobranças coercivas dos impostos deviam ser melhor analisadas, no sentido de não prejudicar a produção das empresas.

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