“Não adianta ter cidades com prédios bonitos ao lado de aldeias desaproveitadas”

A resposta do empresário António Segunda Amões, sempre que questionado sobre as razões que o impulsionaram a avançar com o conceito de reforma e requalificação da aldeia Camela Amões, é sem hesitação: “É fruto de uma inspiração divina!”

Nesta lógica, mesmo tratando-se de um investimento dispendioso, na ordem dos 400 milhões de dólares, relega-se a componente financeira para o plano secundário: “Queremos, antes de pensar-se em lucros, velar pelas condições sociais das famílias”, argumenta. O presidente do conselho de administração do grupo ASAS acredita que, investindo primeiramente no homem, a sustentabilidade do projecto da aldeia Camela Amões, no município do Cachiungo, província do Huambo, está garantido. “Se a estratégia para saída da crise passa em apostar-se na agricultura, este é um conceito viável para se atrair mais força de trabalho para o campo.

É a partir do meio rural que se constroem economias sustentáveis e se garante o sustento dos povos”, explica. Numa altura em que o projecto entra no quarto ano de execução, cuja primeira fase termina em 2025, o mentor da iniciativa manifesta- se regozijado pelos avanços registados. Olhando para atrás, o trabalho de transformar uma mata densa num conglomerado de habitações, escolas e outros equipamentos “valeu a pena o empenho e esforço. Hoje é um motivo de satisfação que, a cada dia, nos impulsiona a continuar com este desafio”. “O cronograma está a ser desenvolvido conforme programado. Estamos convencidos de que as metas serão alcançadas. As duas cooperativas, uma agrícola e outra pecuária, já estão constituídas.

Terão a missão de preparar as terras e proceder à entrega das sementes,assim como iniciar a gestão da maquinaria. Têm, de momento, disponível 600 e 800 hectares distribuídos. São indicadores que nos deixam animadom quanto ao futuro”, descreveu. No plano de arquitectura, em que “tudo está a sair da minha cabeça”, “os desenhos feitos por um dos meus filhos”, desvendam a construção de duas mil casas, de três tipologias, duas igrejas, campo de futebol, discoteca, biblioteca, museu, 15 escolas do I e II ciclos, centro de formação com dormitório, instituto médio, universidade, centro médico, hospital de referência, lavandaria, creches, padaria, pólo industrial, mini-hídricas, central de bombeiros, zona de lazer para animais selvagens, hotel, bungalows, aeródromo, teleférico entre as montanhas e outros equipamentos.

“Queremos, com todos estes valores acrescentados, tornar a aldeia Camela Amões num destino turístico com todas as valências do turismo rural. Já temos, numa área, devidamente delimitada, búfalos, gnus, zebras, cavalos, avestruzes, galinhas de capota ou de Angola, gansos e patos. Vamos aumentar a diversificação de animais. Os primeiros bungalows estão em fase de acabamento”, detalhou. A grande bandeira do empresário, com todas estas “investidas” no projecto Camela, é convencer e conquistar vontades e sensibilidades, como empresas, bancos, professores, engenheiros, enfermeiros, pedreiros, electricistas e canalizadores qualificados, porque, justifica, “há muita margem de negócio à vista e trabalho pela frente garantido”, razão pela qual tem-se criado estas condições para todos que decidirem investir, trabalhar e viver na aldeia da comuna do Chiumbo.

É inspirado neste exemplo-piloto, com as devidas adaptações, o grupo empresarial liderado por Segunda Amões. que augura reformar nos próximos anos as mais de dez mil aldeias de Angola, o que corresponde entre 18 e 20 aldeias por comuna, tendo inclusive apresentado uma proposta ao Executivo. “É preciso evitar o maciço êxodo populacional. Investir no casco urbano, na actual conjuntura, é desaconselhável. O meio rural não pode continuar inexplorado, precisamos inverter a pirâmide”, disse. A teoria que defende, e que terá encorajado a apresentar uma proposta ao Executivo, é pragmática: “Não adianta ter cidades com prédios bonitos ao lado das aldeias desaproveitadas.

A riqueza real do país está no campo. Mas é preciso no projecto Camela, é convencer e conquistar vontades e sensibilidades, como empresas, bancos, professores, engenheiros, enfermeiros, pedreiros, electricistas e canalizadores qualificados, porque, justifica, “há muita margem de negócio à vista e trabalho pela frente garantido”, razão pela qual tem-se criado estas condições para todos que decidirem investir, trabalhar e viver na aldeia da comuna do Chiumbo. É inspirado neste exemplo-piloto, com as devidas adaptações, o grupo empresarial liderado por Segunda Amões. que augura reformar nos próximos anos as mais de dez mil aldeias de Angola, o que corresponde entre 18 e 20 aldeias por comuna, tendo inclusive apresentado uma proposta ao Executivo. “É preciso evitar o maciço êxodo populacional. Investir no casco urbano, na actual conjuntura, é desaconselhável. O meio rural não pode continuar inexplorado, precisamos inverter a pirâmide”, disse.

A teoria que defende, e que terá encorajado a apresentar uma proposta ao Executivo, é pragmática: “Não adianta ter cidades com prédios bonitos ao lado das aldeias desaproveitadas. A riqueza real do país está no campo. Mas é preciso que haja estruturas nas aldeias para as pessoas irem lá viver, trabalhar e passear. Se este esforço for feito temos a certeza que vamos mitigar a fome e a pobreza no país”. A reforma das aldeias de Angola, na óptica de Segunda Amões, implica “sensibilidade do que é sofrimento” e interiorização política, em definitivo, de que com uma aposta “efectiva e consistente no meio rural far-se-á, de facto, jus ao lema lançado pelo primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto: “o mais importante é resolver os problemas do povo!”, relembrou. “As nossas terras são aráveis e férteis pelo que não justifica continuarmos a enfrentar dificuldades em termos alimentares. Temos tudo para dar certo. É necessário apenas que as autoridades apostem em projectos semelhantes e dêem um voto de confiança à classe empresarial. Estas iniciativas estão também em sintonia com as políticas defendidas pelo FMI, como clarificou a e reforçou a sua directora, Christine Lagarde, na recente visita ao nosso país”, sublinhou.

Um lugar encantador

A aldeia Camela Amões, cujo projecto caminha a passos lentos, mas seguros, começa a entrar no mapa turístico da província do Huambo e a tornar-se em local de romaria. O verde das montanhas, em perfeito “abraço” com o nevoeiro, e o cheirando a terra, sempre que chove, é encantador para o olhar e alma de quem a visita. As infra-estruturas até agora edificada, são, em simbiose, um sonho à parte: de como se pode viver no mato, com qualidade e dignidade…longe da azáfama do casco urbano. Foi dentro desses encantos, por obra da Mãe-natureza e da força de vontade do homem, que as mulheres da Igreja Evangélica Congregacional em Angola – IECA-, escolheram, em duas ocasiões, a aldeia Camela Amões como local para a realização do acampamento provincial e nacional. Mais de quatro mil pessoas, que participaram nas actividades em busca da paz espiritual, com louvores e orações, tiveram o “privilégio” de conhecer um pouco o projecto…as outras sentiram que por ali há trabalho para o bem-estar colectivo. “É uma obra grandiosa. O empresário Segunda Amões é um filho abençoado. Não é todos os dias que encontramos pessoas com generosidade. Foi extraordinário os dias que passamos na aldeia. As mais de quatro mil mulheres, e não só, ficaram maravilhadas com o que viram e pediram a Deus que abençoe o projecto, que contribuirá para o aumento do rendimento das famílias”, asseverou o pastor Dundumba, da IECA.

Do nosso infortúnio ao projecto

Em recente entrevista à imprensa, o empresário Segunda Amões “desvendou”, para além da “inspiração Divina”, as razões que o impulsionaram a lançar o projecto de reformas e requalificação da aldeia Camela Amões. Eis o depoimento: “Em 2011, tivemos uma infelicidade no seio da família. Morreu uma tia nossa que tinha estado hospedada durante algum tempo connosco, na África do Sul, e, portanto, tínhamos criado umcerto laço. Por essa razão, a minha esposa decidiu-se a acompanhar- nos no óbito que se realizou na Camela Amões, de onde era natural e residente. O velório ocorreu na sua humilde casa e tudo debaixo de uma mangueira, sem as mínimas condições, como uma casa de banho.

Nessa ocasião, a minha esposa fez-me a seguinte crítica: – “O teu irmão Faustino é rico; o teu irmão Valentim é muito rico; tu és uma pessoa rica. Não consigo perceber como é que pessoas tão abençoadas permitem que o lugar onde nasceram não tenha sequer uma casa com quarto de banho. É uma vergonha”! Assim, depois de engolida a crítica, decidimo-nos (os irmãos) a dar alguma dignidade à nossa aldeia. Começámos por construir uma escola, um centro médico e duas igrejas. A obra começou a ficar bonita e pusemos uma loja para a permuta de produtos. Quando às condições, elas estavam mais ou menos criadas, construímos uma casa social para o nosso avô, que logo se destacou das demais. Foi aí que começou a surgir a ideia de dar real dignidade à nossa aldeia. Preparámos o projecto e começámos a estendê-lo, aos poucos, a toda a aldeia”.

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