Unidos do Caxinde quer pedido público de desculpas para voltar a desfilar no Carnaval de 2019

O pedido de desculpas deve-se ao facto de o grupo não ter sido convidado a participar no acto de abertura do CAN, em 2010, ano em que foi vencedor do Carnaval, enquanto os grupos que ocuparam o 2º,3º, 4º e 5º lugar estiveram presentes

O grupo carnavalesco do distrito da Ingombota Unidos do Caxinde pretende que a Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL) e a Direcção Provincial da Cultura de Luanda lhe peçam desculpas publicamente para voltarem a desfilar no Carnaval de Luanda. O presidente do grupo fundado em 2001, António Monteiro, em conversa com OPAÍS referiu que o pedido de desculpas deve-se ao facto de não terem sido convidados para participar no acto de abertura do Campeonato Africano das Nações (CAN) realizado no país em 2010. Estiveram presentes no acto o grupo União Kiela, do Sambizanga, União Sagrada Esperança, do Rangel, União Operário Kabocomeu e o União Mundo da Ilha, que em 2010, no Carnaval, ocuparam os 2º, 3º, 4º e 5º lugares, respectivamente, enquanto o Unidos do Caxinde, vencedor nessa edição do entrudo, não foi convidado.

O presidente do grupo disse que se sentiram discriminados com o facto, tendo a Associação Chá de Caxinde, em assembleia geral, em 2011, decidido deixar de participar no Carnaval. “Houve uma assembleia geral dos sócios com os membros. Nunca tivemos uma assembleia geral assim, porque todos sentimo-nos discriminados com o que estava a acontecer. E por causa disso tomamos a decisão de retirar o grupo do Carnaval, até que as entidades envolvidas neste processo fizessem um pedido de desculpas por escrito ou público sobre o que se tinha passado”, explicou.

Pedido de esclarecimento

António Monteiro realçou que quando tiveram conhecimento que a Direcção Provincial da Cultura de Luanda e a APROCAL convidaram seis grupos para participar no acto de abertura do CAN escreveram uma carta para saber o porquê de não serem convidados. Avançou que a Direcção Provincial da Cultura respondeu dizendo que não tinham convidado pela classificação anterior do Carnaval, mas sim feito convite aleatório. “Primeiro aceitamos essa resposta, mas depois verificámos que os grupos que lá estavam tinham participado no Carnaval em 2010, no qual o Unidos do Caxinde ocupou o 1º lugar. Não convidaram o 1º classificado, mas sim os outros”. O responsável disse ainda que insistiram para saber por que motivo não convidaram o grupo, mas foram informados que convidaram grupos que desfilam segundo a matriz do Carnaval angolano, nomeadamente os que dançam semba, kabetula e varina. Tendo o Unidos do Caxinde como dança o semba, voltaram a escrever, dizendo que venceram o Carnaval naquela edição e também dançam o estilo requisitado. “Aí veio a terceira carta que nos explicou claramente que estávamos a ser discriminados. Essa última despoletou um sentimento de revolta em todos os membros. Convocamos uma assembleia geral e a resposta foi deixar de desfilar no Carnaval”.

Saída do grupo do Carnaval

O presidente do grupo explicou que a decisão sobre a saída do Caxinde do Carnaval ocorreu depois da realização do entrudo em 2011, devido ao processo de troca de correspondência com a Direcção Provincial da Cultura. “A última carta que recebemos, depois da realização do Carnaval em 2011, foi a pior de todas. Foi aquela que nos fez, a partir dessa data, deixar de participar no Carnaval de Luanda, até que o pedido de desculpas fosse feito. Como esse pedido nunca foi feito, pelo menos publicamente, continuamos fora do Carnaval”, aclarou. António Monteiro avançou ainda que foi feito o pedido de desculpas por entidades oficiais das duas organizações, mas preferiram que se fizesse publicamente, para assim realizarem outra assembleia geral e decidir sobre o regresso do grupo ao Carnaval de Luanda.

Gabinete da Cultura diz que o assunto já foi discutido

Quanto ao assunto, o director do Gabinete Provincial da Acção Social, Cultura e Desporto do Governo da Província de Luanda (GPL), Manuel António Sebastião, disse que respeita a opinião do Unidos do Caxinde, mas prefere não se pronunciar sobre o assunto. “Já passaram nove anos e sempre com o mesmo problema! Sobre essa problemática prefiro não comentar, tecer qualquer tipo de consideração. Já tivemos encontros, já falamos e não falo mais sobre esse assunto. Por respeito que tenho a todos, não quero mais falar sobre o assunto”, observou.

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