Amnistia Internacional preocupada com repressão pós-eleitoral nos Camarões

A repressão pós-eleitoral está a atingir proporções alarmantes nos Camarões, na sequência da detenção arbitrária, Segunda-feira, em Doualá, do líder da Oposição camaronesa e presidente do Movimento para o Renascimento dos Camarões (MRC), Maurice Kamto, segundo a Amnistia Internacional (AI). Para a directora-adjunta da AI para África Ocidental e Central, Samira Daoud, a detenção de Maurice Kamto e de quatro membros do seu partido político “é sinal de uma maior repressão dos líderes da Oposição, defensores dos direitos humanos e activistas nos Camarões”. “As autoridades devem libertá- los imediata e incondicionalmente.

Também devem libertar os manifestantes pacíficos presos no fim-de-semana, simplesmente por exercer o seu direito à liberdade de expressão e à liberdade de reunião pacífica”, insistiu Daoud. Em vez de tomar medidas para melhorar a situação do país no domínio dos direitos humanos, prosseguiu, “nós constatamos que as autoridades se tornam cada vez menos tolerantes às críticas e isso deve parar”. Samira Daoud aconselhou igualmente as autoridades camaronesas a permitirem que o seu povo desfrute dos seus direitos fundamentais, incluindo nomeadamente o fim da repressão de manifestações pacíficas e das vozes dissidentes. Segunda-feira, Maurice Kamto foi detido em Doualá, com Albert Dzongang, Christian Penda Ekoka e vários outros activistas, e transferidos em seguida para a Polícia Judiciária de Yaoundé, mas não foram autorizados a encontrar-se com os seus advogados.

O mesmo vale para Alain Fogue, tesoureiro do partido que foi preso, e Célestin Djamen, que foi sequestrado pela Polícia no Hospital Geral de Doualá, onde estava sendo tratado de ferimentos de bala contraídos num tiroteio surgido durante uma manifestação no fim de semana. No último fim-de-semana, o MRC convocou manifestações públicas ou “marchas brancas” em todo o país para protestar contra supostas irregularidades maciças no processo eleitoral. Mais de 100 manifestantes foram presos em Doualá, Yaoundé, Dschang, Bafoussam e Bafang. Cerca de 50 pessoas foram libertadas no Domingo e os restantes ainda está sob custódia policial de algumas cidades do país, segundo a Amnistia Internacional.

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