Ministério do Ambiente receberá cinco milhões de dólares para reciclagem de lixo

A ministra do Ambiente disse ontem, em Luanda, que a sua instituição recebeu a proposta de uma empresa que quer apoiar as associações angolanas na reciclagem de lixo com cinco milhões de dólares. O ministério preparase para cadastrar as cooperativas interessadas nesta reciclagem

Paula Francisco Coelho, ministra do ambiente, que falava durante a abertura do workshop Economia Solidária, nas comemorações do Dia Nacional do Ambiente, acha ser necessário que olhemos não apenas para a área social e ambiental mas também para a promoção daqueles que chama de ‘empregos verdes’, bem como para a cadeia de valor que trazem estes projectos. O Ministério do Ambiente recebeu uma carta de intenções de uma empresa, segundo a titular da pasta, que pretende trabalhar “num projecto de reciclagem e transformação com novas tecnologias no valor de cinco milhões de dólares para as nossas associações e para os nossos jovens”.

A ministra não avançou mais detalhes, mas o director nacional do ambiente, Nascimento Soares, em entrevista colectiva, disse que depois de se ter lançado o repto da “Economia Solidária”, várias iniciativas foram surgindo e algumas entidades financeiras mostraram- se interessadas em dar apoio financeiro, no âmbito da reciclagem, às nossas cooperativas. Este é um projecto dos vários que poderão surgir. O apoio está na ordem dos cinco milhões de dólares e os projectos viáveis poderão ser financiados. “É importante que se criem cooperativas que desenvolverão pequenas acções nas comunidades. Estamos a receber intensão de cooperativas que querem trabalhar connosco neste sentido.

Numa primeira fase vamos fazer o cadastramento das mesmas, a posterior vamos informar os órgãos de imprensa e depois fazer a alocação dos fundos para cada um dos seleccionados “, reforçou. Quanto ao facto de muitas dessas cooperativas, por olharem no valor disponibilizado, virem a interessar- se mais no dinheiro que na educação ambiental, o director disse que elas serão obrigadas a trabalhar de forma integrada, isto é, educar e sensibilizar, para além de recolher e reciclar lixo. Devem ainda trabalhar para a melhoria da qualidade de vida da comunidade. É importante que as comunidades deixem de ser dependentes, que haja também empreendedores e que consigam subsistência, por isso a necessidade de criação deste projecto. A criação de cooperativas ambientais, com pessoas que queiram trabalhar na reciclagem, aproveitar os resíduos para produzir outros produtos, poderá alavancar este desiderato.

71 milhões de dólares para acabar com defecação ao ar livre

O saneamento é prioridade, pois investir um dólar em saneamento têm-se o retorno de 7 dólares, segundo o que defende Nascimento Soares. Investir no saneamento é melhorar a questão de assiduidade e a presença de alunos nas escolas, reduzir o encargo do OGE na saúde, evitar as doenças que ocorrem devido à falta de saneamento. Um estudo feito recentemente pelo UNICEF dita que para implementar a eliminação concreta do hábito de defecar ao ar livre, que é um dos principais problemas e causa de doenças nas comunidades, precisa-se de pelo menos 71 milhões de dólares de investimento. “Não é pouco dinheiro, mas poderá ajudar a resolver ou minimizar o problema de saneamento.

Se isso for possível, estamos a falar do alcance do desenvolvimento e da meta número seis sobre a qualidade e disponibilidade de saneamento e qualidade de vida das populações”, defende. A educação ambiental é outra preocupação, mas antes temos que ver que as questões de educação devem ser associadas a projectos que sejam financiados para que tenham sustentabilidade. Ver como as comunidades vivem e como os diferentes actores podem trabalhar para que a vida nas comunidades seja melhorada, por exemplo. Finalizou dizendo que o objectivo fundamental da “Economia Social” é trazer sinergias de outros sectores, como o da economia, finanças e acção social, “para juntos trabalharmos numa estratégia de melhoria da situação crítica das comunidades, no que concerne ao empreendedorismo, criação de novas linhas e formas de financiamento”..

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