Uólofe Griot:“As minhas perspectivas são de continuar a contribuir e a tentar impulsionar cada vez mais a Arte Angolana para o desenvolvimento”

“Autorretrato” é o título da exposição do artista Uólofe Griot, a ser inaugurada a 8 deste mês, no ELA - Espaço Luanda Arte. Trata-se de um conjunto de obras resultante de uma residência artística de 5 meses na referida galeria. Em entrevista a OPAÍS, o artista fala do processo criativo da sua obra e das dificuldades resultantes da crise financeira, o grande obstáculo na aquisição de material

Uólofe abre no próximo dia 8 o ciclo expositivo do ano de 2019 no ELA – Espaço Luanda Arte, qual é o título da colecção e quanto tempo levou a sua preparação?

O título é “Autorretrato”, é um conjunto de obras resultante de uma residência artística de 5 meses no ELA – Espaço Luanda Arte.

Como surgiu esta colecção e de que está constituída?

Esta colecção surge em 2018, com a influência do bordado contemporâneo, e será uma constituição multidisciplinar.

O que retrata e quem é o comissário desta exposição?

É uma exposição biográfica, e o comissário é o Dominick A Maia Tanner.

É a primeira vez que expõe no ELA?

Não, a segunda. Em 2017 estive lá com a minha primeira exposição individual de sempre, de nome “Ideia”.

Como está a viver os momentos que antecedem a inauguração desta obra?

Estou numa fase menos tensa, onde já está tudo organizado para a exposição.

Além do ELA, como está actualmente em termos de exposições no país e no estrangeiro?

Tenho as algumas exposições colectivas para este ano no pais, e irei representar o ELA na Feira de Arte de Cape Town – África do Sul, entre 14 e 17 deste mês.

Como foi para si o ano de 2018 em termos de realizações, sobretudo, no domínio artístico?

2018 foi um ano de muita criação artística, que me lembra o JAANGO, onde dispenso a minha zona de conforto para implementar mídias novas no meu processo de criação. E também por trabalhar com a minha parceira Kisha Kipito Kussamba. Ela foi co-criadora em algumas obras, bordando e conferindo novos elementos visuais na minha pintura.

O que gostaria que fosse realizado em 2019, que não fez em 2018?

Serei finalista do ISART e espero completar o meu curso. Depois gostaria de realizar viagens para residências artísticas e intercâmbio sociocultural.

A crise financeira criou obstáculos na sua agenda ou trabalho?

Sim, interferiu bastante, porque os materiais que possibilitam a nossa expressão estão cada vez mas caros.

Como inverteu a situação?

Serviu também para eu buscar novas mídias para substituir as tradicionais.

Qual foi o título da sua última exposição e onde a realizou?

O título foi “Ideias” no Espaço Luanda Art (ELA).

E a primeira?

Em 2014 participei na primeira exposição colectiva Jovens Artistas Angolanos (JAANGO), realizada e produzida pela AM-ARTE. Tive uma reacção bastante positiva do público, leigo e profissional, como de Benjamim Sabby e outros.

Quando e onde iniciou a sua actividade artística?

A minha actividade surgiu em Luanda, numa fase infantil, onde comecei a criar formas com várias mídias. Na adolescência passei a frequentar o atelier do meu primo Sebastião Delgado, aprendendo mais sobre noções de desenho, que possibilitaram a minha expansão criativa. As primeiras criações eram de desenhos animados da época.

Quais foram os momentos mais marcantes da sua carreira?

Foram muitos momentos marcantes, mas o principal foi o Jovens Artistas Angolanos (JAANGO), onde emergi profissionalmente como artista plástico, e ao mesmo tempo saí da minha zona de conforto para fazer intervenções mas ousadas. Os momentos mas fracos foram quando trabalhava numa agência publicitária, onde me sentia preso.

Os menos relevantes, porquê?

Por não soltar a nirvana artística.

Perspectivas para 2019?

As minhas perspectivas são de continuar a contribuir e a tentar impulsionar cada vez mais a Arte Angolana para o desenvolvimento sociocultural. Gostaria de agradecer ao ELA pelo convite para esta exposição, e ao Jornal OPAÍS por terem essa intenção muito peculiar nos aspectos que envolvem as actividades culturais angolanas.

Percurso do artista

Simão André Sebastião, conhecido no meio artístico por Uólofe Griot, nasceu a 13 de Março de 1989, na província de Luanda. Artista plástico e design-ilustrador, estuda no Instituto Superior de Artes (ISART). É membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP).

 

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