ACC denuncia mortes em minas abandonadas na Huíla

A província da Huíla controla um total de 15 empresas que exploram rochas ornamentais nos municípios da Chibia, gambos, e Quipungo e duas que trabalham outros inertes, areia e pedras

POR:João Katombela, na Huíla

No ano passado, segundo a Associação Construindo Comunidades (ACC), sedeada no Lubango, três cidadãos, entre os 17, 19 e 21 anos, perderam a vida em crateras abertas pelas empresas mineiras. João Tyihetekey, membro da ACC, informou que os jovens morreram quando pretendiam acarretar água para o consumo na localidade da Quihita, município da Chibia. Além destas mortes, o responsável denunciou que as crateras abertas ao longo das áreas de exploração têm estado igualmente a causar outros prejuízos nos rebanhos, devido à profundidade que os mesmos apresentam.

Para o secretário executivo da Associação Construindo Comunidades, Domingos Fingo, é necessária a conjugação de esforços dos vários sectores sociais, no sentido de mitigar os efeitos negativos do impacto da actividade mineira nas localidades. “É necessário analisar o impacto da actividade mineira no seio das comunidades locais e a responsabilidade social corporativa destas mesmas empresas, para se encontrar soluções que possam beneficiar as populações que vivem nas zonas de exploração”, defendeu. Domingos Fingo disse ainda que a presença destas empresas nos municípios da Chibia e dos Gambos, tem causado inúmeros prejuízos, não só para o ambiente, como também para a vida dos seus habitantes. Reforçou que a população da Chibia e dos Gambos queixa-se da falta de benefícios resultantes da exploração de inertes nas suas circunscrições, no âmbito da responsabilidade social destas empresas.

Órgão de tutela promete investigar

Por seu turno, o director do Gabinete Provincial do Comércio, Indústria e Recursos Mineiras da Huíla, Machado Quilende, disse ter conhecimento das mortes destes cidadãos e que a instituição que dirige vai fazer deslocar uma equipa a esta localidade para apurar a veracidade dos factos. A deslocação ao terreno, segundo o responsável, servirá também para identificar os proprietários das referidas minas e constatar se ainda estão em funcionamento. Avançou que as licenças para as empresas que exploram minérios e inertes são concedidas mediante a apresentação de um resultado dos estudos de impacto ambiental e a sua mitigação.

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