Alexandre Sebastião: “crise na CASA-CE não vai afectar participação nas autarquias”

Partidos coligados garantem trabalhar para a coesão e unidade da CASA-CE face aos desafios políticos, com destaque para as autarquias

O vice-presidente da coligação CASA-CE, Alexandre sebastião André, descartou qualquer hipótese de a actual crise prevalecente nesta formação política prejudicar a sua participação activa nas eleições autárquicas agendadas para o ano de 2020. Neste sentido, o dirigente adiantou terem sido nomeados, esta Quinta-feira, 31, os secretários provinciais imbuídos no espírito da concorrência nas autarquias locais, sendo este um dos grandes desafios nacionais. Sebastião André, em exclusivo ao OPAÍS, assegurou que independentemente da crise na coligação, os partidos que a integram não pretendem renunciar ao projecto de Abel Chivukuvuku. “Nenhuma das formações políticas está com o pensamento de sair da CASA-CE”, disse o também deputado, para quem as informações segundo as quais a coligação estava a “ruir” não têm fundamentos.

Acrescentou, o dirigente, que a união e coesão no seio dos militantes da CASA-CE apresentam- se como sendo um factor determinante para a reafirmação e garantir a esperança aos angolanos. Entretanto, os seis (6) partidos coligados na CASA-CE já realizaram os seus congressos e renovações de mandatos com os olhos postos nas eleições autárquicas. “Continuamos firmes e a dar passos para atingir os objectivos, mais passos seguros serão dados para aprimorar questões como a reconciliação e harmonização da coligação”, referiu.

Quanto às deserções no seio da coligação, o também presidente do PADDA-AP considera ser um processo normal em questões de política partidária, tendo esclarecido que a lei dos partidos políticos é clara quanto a estas questões. “As pessoas, tal como foram livres para entrarem na CASA-CE, também têm a mesma liberdade para sair. Nós respeitamos a liberdade de cada um”, sustentou. Para ele, a saída de alguns militantes demonstra imaturidade política, por um lado, sendo, por outro, por falta de noção do conceito e o conteúdo de uma coligação, confundido com um partido político.

Deserções na CASA-CE

Nos últimos tempos, a coligação está a registar a saída massiva de dirigentes e quadros de topo, tanto a nível provincial, como nacional. Em Abril do ano passado, 57 militantes da CASA-CE na província do Huambo abandonaram esta coligação, filiando-se no Partido de Renovação Social (PRS), incluindo o secretário municipal da Chicala Cholohanga. Os dissidentes alegaram, na altura, não se reverem no surgimento do novo partido político que estava a ser criado dentro da CASA-CE, denominado “Podemos-JA”, pelos chamados “independentes”, liderados por Abel Chivukuvuku. A saída em massa foi reforçada com o recente abandono da coligação em princípio deste mês do ex-secretário executivo provincial da CASA-CE de Luanda, Alexandre Dias dos Santos (Libertador) que depois de seis anos de “casamento” com a CASA- CE volta à UNITA, de onde havia saído em 2012.