Os preços e as máscaras

A TAAG anunciou uma redução das tarifas nos voos domésticos, coisa pouca, mas redução, dizem. Aparente, acrescento eu. Porque depois também tira dos passageiros o direito a uma pequena refeição, que a TAAG sempre cobrou diluindo o seu preço nos itens que fazem o valor total do bilhete. O argumento para nos deixar à fome é que os passeiros “desperdiçavam” o que era servido. Pudera, sempre a mesma coisa: uma barrita de cereais, um sumo e um bombom de chocolate dos mais baratos. Tudo açúcar. À qualquer hora. Nem se teve o cuidado necessário com os hábitos alimentares do angolano. Servissem pão com chouriço e veriam se sobrava alguma coisa. No comunicado até se finge ter atenção à situação social e à condição financeira dos angolanos. Brincadeira. Porque tirar seis ou dez mil de oitenta e tal mil kwanzas não faz diferença na nossa pobreza. Além disso, partindo de algumas zonas de Luanda, por exemplo, o passageiro tem de sair de casa umas cinco horas antes do voo, mais uma de viagem, são seis horas sem nada no estômago, e até chegar à “casa”, com a espera pela bagagem, são sete horas. Porque os bares do aeroporto, além de servirem apenas tosta mista, também não pensam na condição financeira dos angolanos. É um absurdo o que cobram. Mas a leitura do comunicado diverte, com a sua tentativa de mascarar tudo. Privatizem e fi quem já com a companhia, sabemos que o objectivo é este.