Sindicato contra ‘atestado de incompetência’ passado aos médicos pela ministra

O Sindicato nacional dos Médicos de Angola (SInMEA) considera o discurso da ministra da Saúde sobre o concurso Público pouco abonatório e acha que a responsável passou um “certificado de incompetência” aos médicos que concorreram. reunidos no Sábado, os sindicalistas prevêem uma marcha de protesto no dia 16 do corrente

O Memorial Agostinho Neto albergou, no último Sábado, o 3º Fórum Nacional dos Médicos de Angola, que decorreu sobre o lema “Estratégia de resolução dos problemas da classe médica”. Entre os vários problemas abordados nesta reunião, esteve o resultado do Concurso Público da Saúde e o pronunciamento da ministra de tutela, Silvia Lutucuta. Em declarações ao Jornal OPÁIS, o secretário-geral do SINMEA, Pedro da Rosa, disse que os médicos decidiram não concordar com o pronunciamento feito pela ministra, achando que esta “passa um certificado de incompetência aos médicos que participaram no recente concurso público realizado de forma atípica, por não ter cumprido as normas internas.

Os médicos decidiram fazer uma denúncia à PGR para investigar a verdade relacionada com o referido concurso, bem como escrever à OMS sobre o assunto. Por outro lado, apelam aos seus filiados a não participarem nos “cursos de refrescamento” por reflectirem um desrespeito aos médicos. Nesta reunião dos médicos houve ainda quem defendeu que a ministra da Saúde deva reunirse em assembleia com os médicos e outros que sugeriram que se fizesse um abaixo-assinado em protesto aos últimos pronunciamentos da tutelar da pasta sobre o concurso público. “A imagem da classe médica nacional está manchada por discursos pouco abonatórios de responsáveis do MINSA, pelo que se apela ao diálogo franco e responsável. Sugere-se uma assembleia de médicos com a sra. ministra”, disse.

Pedro da Rosa disse ainda que os presentes decidiram realizar uma marcha de protesto, no dia 16 de Fevereiro de 2019, num Sábado, a partir das 13 horas, em todas as cidades capitais de província do país. Em Luanda, a marcha terá o seu ponto de partida na Mutamba e terminará na sede da Ordem dos Médicos. Participaram também no encontro os secretários provinciais de Luanda, Namibe, Lunda-Sul, Malanje, Benguela, Bié, representados por Cândido Silva, Gabriela Bumba, Bartolomeu Bernardo, Edgar Bucassa e Arlindo, respectivamente, que expressaram o seu descontentamento com o momento actual vivido pela classe e manifestaram a sua solidariedade ao sindicato nacional.

Outra conclusão a que se chegou no debate é que os governantes angolanos não encaram a medicina com seriedade, segundo os sindicalistas, pelo que há a necessidade de se enviar cartas à Assembleia Nacional, à PGR e à Presidência da República para a resolução dos inúmeros problemas existentes no sector da saúde. “Em busca de quórum, os participantes acordaram ainda a realização de uma Assembleia Geral dos Médicos, a ter lugar em Luanda no dia 2 de Março de 2019”, reforçou.

error: Content is protected !!