Presidente do Zimbabwe convida Oposição para conversar sobre greve de professores

O Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, convidou os líderes da oposição para uma reunião na Quarta-feira a fim de redigir os termos de um diálogo nacional, disseram eles, após uma brutal repressão aos protestos contra o Governo

Mais de 20 políticos que disputaram as eleições presidenciais de Julho foram convidados, dois dos quais – Lovemore Madhuku e Noah Manyika – disseram que compareceriam. Seria o primeiro encontro entre Mnangagwa e adversários desde que ele assumiu o poder sucedendo a Robert Mugabe em Novembro de 2017. No entanto, Manyika disse que acredita que as condições ainda não estão criadas para um diálogo significativo, o que só poderia acontecer se centenas de pessoas detidas durante a repressão fossem libertadas e os soldados retirados das ruas e dos postos de controlo. “Isso só pode acontecer se, como o Presidente prometeu no regresso da sua viagem ao exterior, os chefes daqueles que foram responsáveis pela violência contra cidadãos rolarem”, disse Manyika.

Na Terça-feira, uma greve nacional de professores do sector público por melhores salários teve um início irregular, já que alguns ficaram em casa enquanto outros foram à escola, mas não ensinavam por temor de mais intimidações. O Presidente aumentou os custos do combustível em 150 por cento no mês passado e imediatamente viajou para o exterior, causando distúrbios que provocaram uma resposta violenta das forças de segurança e, eventualmente, persuadiu- o a interromper a sua viagem. Ao voltar a casa, Mnangagwa prometeu acção contra a brutalidade da Polícia e das tropas e pediu um diálogo nacional.

Não houve comentários imediatos sobre o convite de Terça-feira de Mnangagwa ou do seu porta- voz.Nelson Chamisa, que lidera o principal movimento do Movimento pela Mudança Democrática, e que conta com Manyika entre os seus aliados, não foi encontrado para comentar o assunto. O MDC acredita que o Zimbabwe está a regressar ao regime autoritário que caracterizou o regime do líder de longa data Mugabe, e diz que a eleição que confirmou Mnangagwa como Presidente em Julho foi fraudulenta, uma alegação que o judiciário rejeitou.

“Relatar toda intimidação

” A nação do Sul de África está atolada numa crise económica marcada pela inflação crescente e escassez de dinheiro, combustível e medicamentos. Muitos funcionários do Governo estão a exigir aumentos salariais e pagamentos em dólares para compensar. Na Terça-feira, a Associação de Professores do Zimbabwe (ZIMTA), o maior sindicato de ensino, disse que a maioria dos seus membros permaneceu em casa, mas que agentes de segurança foram a algumas escolas recolher dados sobre os professores ausentes. O sindicato acusou as autoridades de espalharem notícias falsas para desencorajar os professores de entrarem em greve depois de os mídia estatais informarem que a paralisação havia sido cancelada. “Relataremos todas as formas de intimidação, estamos a construir um dossier sobre tal”, disse o ZIMTA num aviso aos membros. Ministros do gabinete recusaram responder a perguntas sobre a greve numa entrevista colectiva em Harare. Nas escolas, ao redor do centro da capital, a maioria dos professores parece ter aparecido para o trabalho, mas alguns não deram aulas, disseram testemunhas. Numa sala de aula de uma esco