Mitos & Literatura

Conheça o percurso do secretário-geral da UEA & sacie-se com versos “d´ouro” de João Tala

“Era a primeira hora de um Domingo esplêndido. Num komba, os ouvidos de alguns presentes sentiram o ressoar de uma voz chalada e familiar a berrar. O som fez recuar muitas luas no tempo do antigamente. Trouxe a imagem de um velho que fumava cachimbo e fazia fumaça esbranquiçada em argolas, outras pareciam bolinhas de sabão e quando se abrisse em sorrisos alargados com os dentes acastanhados…” É com esse grau de satisfação que começamos a biografia do actual secretário-geral da casa das letras angolana. António Francisco Luís do CARMO NETO nasceu aos 16 de Outubro de 1962, em Malanje, um ano depois da morte de seu avô, soba de um território importante na região da Palanca Negra Gigante, assassinado pela tropa portuguesa. Fez estudos primários na mesma cidade, tendo aprendido, a ler e a escrever com a sua avó paterna.

A partir do ensino secundário, começou a escrever redacções que o jornal escolar achava algumas vezes importante publicá-las. Mais tarde, já no ensino médio, ganhou o seu primeiro prémio de poesia no Lobito, no Instituto Médio de Educação. A seguir, transita para a Faculdade de Direito, da Universidade Agostinho Neto. Foi membro fundador do primeiro Jornal Desportivo Militar, berço de muitos bons jornalistas da Angola de hoje. Exercia activamente a profissão de jornalista quando editou o livro “A Forja”, 1985, inaugural. Com a influência da teoriajurídica, escreve contos como “O Meu Réu de Colarinho de Branco”, 1988. Criou um escritório de advogados. Continuando com o exercício da escrita, contos e crónicas que deram em dois livros “Mahezu, Joana Maluca 2004 e Degravata”, 2007.

Mais tarde foi nomeado porta- voz da Polícia Nacional de Angola, e passou a escrever para o seu arquivo, tendo, entretanto, “parido” alguns inéditos, designadamente, uma novela, um livro de contos e outro de crónicas, todas obras inéditas, porque a velocidade do seu quotidiano não lhe permitiu ainda sentar-se para recontar e publicar o que está produzido. O contista, cronista e romancista cré que acontecerá, tão logo deixe o cargo de secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, eleito há uma década, em cessação de mandato. Carmo Neto junta ao seu repertório literário obras traduzidas em inglês, francês, alemão, italiano, hebraico, árabe e espanhol. É simultaneamente membro fundador da Academia Angolana de Letras, participou em vários eventos literários em Portugal, Brasil, Israel, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé.

O autor da Geração de 80 confessa que conciliar as actividades da advocacia e do jornalismo, enfim, das funções públicas, não foi uma tarefa simples, mas foi desse encontro que emergiu o ser escritor. O escritor vive intensamente a sua vida como a de um sujeito, as suas inspirações. Ligou-se às letras de forma definitiva e é isso que o distingue dos outros profissionais liberais. Acredita na expiação da sua frustração sobre o teclado do computador. É dessa forma que, segundo ele, surgem igualmente ao advogado, o jornalista e o militar, enfim, o funcionário público. Assim, pretende chegar à velhice apenas escrevendo, “como uma obsessão activa ou uma forma de sacerdócio”.

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