Al-Sisi quer dinheiro dos membros para a UA

O Presidente do Egipto e agora nas vestes de líder da União Africana (UA), Abdel Fattah Al-Sisi, prometeu ontem, em Addis Abeba, tudo fazer para a reforma estrutural e financeira da organização continental

A União Africana tem para o exercício de 2019 um orçamento no montante total de 681 milhões, 485 mil e 337 dólares, mas mais de 50 por cento é suportado por financiamento de parceiros internacionais, um quadro que o novo presidente pretende ver alterado, através da contribuição activa dos seus membros. Ao falar na cerimónia de abertura da 32ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorre na sede da organização, em Addis Abeba, Al-Sisi disse ser fundamental passar das decisões tomadas para as acções, com vista a satisfazer as expectativas dos povos do continente.

O Chefe de Estado egípcio, que começou o seu discurso com uma saudação a todos os presentes em nome de Deus, referiu que se os países membros da UA estiverem unidos, a África será uma potência mundial, daí ter apelado para o relançamento de políticas como a do desenvolvimento pós-conflito. Nas linhas mestras apresentadas para o desenvolvimento do continente e bem-estar dos seus cidadãos, Al-Sisi elencou a promoção do emprego e oportunidades para a juventude, a luta contra o terrorismo, o combate às alterações climáticas, entre outros. O novo presidente da União Africana, que sucede a Paul Kagame do Rwanda, a quem agradeceu pelo seu engajamento pelas reformas em curso na organização, disse que o continente tem expectativas em relação às acções dos seus Chefes de Estado e de Governo, daí ter apelado para a necessidade de passar dos aberdiscursos às acções concretas para que o mundo veja que os líderes africanos são sérios”.

Sublinhou que as crianças africanas têm o direito de herdar um mundo melhor, razão por que pediu aos seus homólogos a assumpção de um compromisso de longo prazo. Por seu turno, o presidente cessante, Paul Kagame, referiu que os passos conseguidos com as reformas em curso na UA reflectem o compromisso assumido e as aspirações dos africanos de terem uma vida melhor e competir no mundo cada vez mais globalizado. Entre os avanços registados com as reformas, destacou o tratado assinado em 2018 sobre a Zona de Livre Comércio Continental e encorajou os signatários que ainda não o ratificaram para o fazerem o mais rápido possível. Em relação à saúde financeira da organização, disse ter registado alguns progressos, tendo as contribuições dos países membros atingido os 89 milhões de dólares, para o Fundo da Paz, o que demonstra, na sua óptica, a força da habilidade dos líderes africanos.

O Presidente do Rwanda disse que a ideia é evoluir para um mecanismo duradouro de financiamento das operações de paz no continente. Por outro lado, e aliando-se ao discurso do seu sucessor, disse que os africanos devem fazer face ao mundo agindo como um bloco único, daí a necessidade de reforçar as capacidades da União Africana. Por sua vez, o presidente da Comissão da UA, Moussa Faki, enfatizou que no domínio das reformas, a organização vai trabalhar para a autonomia financeira e começar a aplicar sanções aos Estados que não pagam regularmente as suas contribuições. Informou que dos 55 Estados membros, 39 já pagaram as suas contribuições referentes ao Fundo da Paz.

A cerimónia solene de abertura, brindada com a presença de três convidados especiais, nomeadamente o fundador da Microsoft, Bill Gates, o presidente da FIFA, Gianni Infantino e do directorgeral da OMS, Tedros Adhanom, começou a foto da família, seguida pela inauguração da estátua do imperador etíope Haile Selassie. Contou também com as habituais presenças dos secretário-geral da ONU, António Guterres, e do Presidente da Autoridade palestiniana, Mahmoud-Abbas. O presidente cessante, Paul Kagame, e o em exercício, Abdel Fattah Al-Sisi, deram boas vindas aos chefes s de Estado e de Governo recém-eleitos da RDCongo e Madagascar, respectivamente Félix Tshisekedi e Andry Rajoelina. Também foi feito o lançamento do tema do ano de 2019: Ano dos refugiados, dos repatriados, deslocados internos: Rumo a soluções duradouras para a deslocação forçada em África ‘”.

África deve investir no talento humano- Bill Gates

Os líderes africanos deverão apostar fortemente no talento humano, para que a Agenda “África 2063” possa atingir os seus objectivos, afirmou ontem, em Addis Abeba, o fundador da Microsft, Bill Gates Bill Gates, um dos três convidados especiais da cerimónia de abertura da 32ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), aberta ontem(domingo), referiu que será esse talento humano que vai projectar, implementar e gerir todas as infra-estruturas para suportar o desenvolvimento do continente. Há mais de 25 anos que, através da sua fundação Bill&Melinda Gates, Bill Gates apoia projectos sociais em África nos sectores da Educação e Saúde, por entender que pessoas saudáveis e com boa educação geram desenvolvimento.

Através da sua fundação, já investiu em África mais de 15 mil milhões de dólares em programas de educação, projectos sobre agricultura, programas de combate à pobreza e a doenças como a malária. disse acreditar que a África pode atingir os seus objectivos, desde que invista inteligentemente no capital humano, e a sua fundação está disposta a continuar a apoiar projectos que ajudem a desenvolver o continente. Por sua vez, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, segundo convidado especial da cerimónia de ontem, salientou que o organismo que gere o futebol no mundo é um parceiro de África, na promoção de programas sobre educação e desporto. Sublinhou que o futebol é mais do que um jogo, pelo seu impacto na economia e efeito psicológico que tem sobre as pessoas.

“O futebol também constitui uma ferramenta para o crescimento da economia e um meio de integração dos povos”, disse. Frisou ser sua ambição que a África deixe ser promessa e passe para uma certeza em termos de resultados, quer nos mundiais, quer na melhoria das competições internas, por possuir potencialidades e talentos. desde que assumiu a FIFA há dois anos, Infantino disse ter trabalhado para o aumento do número de selecções africanas no mundial de cinco para 10. E também aumentou as verbas destinadas ao surgimento de infra-estruturas ligadas ao futebol no continente. Informou estar a estabelecer parcerias com a União Africana, na luta contra a corrupção, para não haver resultados viciados no futebol, para garantir a segurança nos estádios, e a educação, principal enfoque social da FIFA, que ensina a criança a preparar-se para a vida.

Por seu turno, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom, referiu que, depois da campanha da União Africana, que culminou com a sua eleição para liderar a Organização Mundial da Saúde, o objectivo dos líderes africanos deve agora passar pela criação de condições que garantam saúde e bem-estar de todos os africanos, para que o continente ocupe o seu lugar no mundo e desenvolva todo o seu potencial. Para o efeito, disse que a África deve fazer investimentos inteligentes, sobretudo nos cuidados primários de saúde, na medicina preventiva, e trabalhar muito para controlar surtos e doenças como o Ébola e a criação de agências de medicamentos, para combater o fenómeno de fármacos adulterados. Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a África tem muitos desafios pela frente, como a manutenção da paz e segurança, combate às alterações climáticas, entre outros. Por outro lado, destacou os acordos de paz alcançados no Sudão do Sul e na república Centro Africana (rCA).

disse que o momento agora é trabalhar em soluções para unificar o povo líbio e consolidar as operações de paz a nível do continente, iniciativas que na sua óptica são positivas. Por sua vez, o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud- Abbas, encorajou as reformas em cursos nos países africanos, o diálogo e transição pacífica do poder, e agradeceu o apoio que tem recebido para a causa do povo palestiniano, que luta para sua autonomia. A cerimónia de abertura da 32ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorre na sede da organização, em Addis Abeba, foi presidida pelo Presidente Abdel Fattah Al-Sisi, na qualidade de novo líder da organização. Al-Sisi sucede assim o Presidente do Rwanda, Paul Kagame, que assumiu o cargo rotativo em 2018.