Angola contribui com 8% do orçamento da UA

Angola é actualmente o sexto maior contribuinte da União Africana com uma quota de oito por cento do Orçamento global (USd 280 milhões, 45 mil 761), atrás de países como a Argélia, África do Sul, Egipto, Nigéria e Marrocos, cuja quota é de 12 por cento

Para o orçamento de 2019, Angola vai contribuir com 27 milhões, 603 mil e 668 dólares norte-americanos, dos quais USD 22 milhões, 403 mil e 660, equivalente ao orçamento regular e cinco milhões e 200 mil para o fundo de paz. A 31ª Cimeira adoptou o orçamento da União africana para o exercício de 2019 no montante total de 681 milhões, 485 mil e 337 dólares, repartidos em USD 158 milhões, 459 mil e 118 para o orçamento operacional, a ser financiado pelos estados membros. Há também o orçamento de programas no valor de 249 milhões, 757 mil e 70 dólares, a ser financiado em USD 110 milhões, 257 mil e 890 pelas contribuições estatutárias dos estados-membros e 139 milhões, 499 mil e 189 dólares a ser mobilizados junto de parceiros internacionais. As operações de apoio à paz vão ser contempladas com 273 milhões, 269 mil e 140 dólares, sendo 11 milhões, 328 mil e 750 dólares, a partir de contribuições estatutárias dos estados membros e 261 milhões, 940 mil e 387 dólares a serem mobilizados junto de parceiros internacionais

Ministro angolano dá nota positiva às reformas da UA

O ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, que participa na 32ª Cimeira da UA em representação do Chefe de Estado, João Lourenço, atribuiu, em Addis Abeba, nota positiva às reformas em curso na União Africana (UA), conduzidas pelo presidente Paul Kagame do Rwanda Em declarações à imprensa angolana à margem da 32ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, Manuel Augusto sublinhou que os líderes africanos fi zeram um esforço para dotar a organização de meios humanos e materiais, para prossecução dos seus objectivos.

O ministro angolano referiu que o processo de reformas a nível da organização é consensual, mas a forma de implementação é que nem sempre é unânime, daí estarem a trabalhar, para que dessa cimeira se possam tomar algumas decisões. Apesar dos passos já dados, Manuel Augsto reconheceu que nestes últimos anos houve muitos acontecimentos bons e outros negativos, como as guerras, as endemias e as crises humanitárias, que tiveram um impacto no trabalho da organização. O chefe da diplomacia angolana recordou que o mais o importante no meio de todos esses processos geridos pela UA é que houve um “radicalismo de mudança”, em 2018, um processo conduzido pelo presidente em exercício da organização, o ruandês Paul Kagame.

“Estamos em condições de dizer que África, enquanto continente, deu passos significativos para alinhar com a tendência mundial dos grandes blocos regionais. Naturalmente esses processos levam tempo, por isso são mesmo processos”, referiu. Na sua óptica, os diferentes níveis de desenvolvimentos e os interesses nem sempre coincidentes dos vários estados, condicionam em muito, ou limitam a velocidade com que as lideranças africanas gostariam de ver as suas reformas adoptadas. Apesar de existirem visões diferentes sobre os vários assuntos, destacou as reformas aprovadas no último ano, embora ainda sujeitas a alguns retoques, aspectos que serão objecto de discussão ao detalhe, por exemplo, a forma de eleger os executivos da organização. Lembrou que o grande acontecimento do ano, no quadro das reformas, foi a aprovação do Acordo da Zona de Livre Comércio Continental, um acordo muito importante para África e para o resto do mundo.

Segundo Manuel Augusto, o acordo de livre comércio é importante, porque sendo a África o maior depositário de matérias-primas, tudo o que se aprova e se adopta em matéria da integração económica continental tem impacto noutros continentes, particularmente naqueles que são os compradores das matérias-primas, no sector dos equipamentos e serviços. Em relação à problemática dos refugiados e deslocados internos, tema central desta cimeira, o ministro disse ser necessário atacar as causas que originam este fenómeno e encontrar meios para atenuar as consequências deste flagelo. “Deveremos continuar a lutar também para eliminar causas, como a pobreza, a má distribuição da renda, as desigualdades em cada um dos nossos países, catástrofes naturais e a falta de políticas de estados inclusivas”, enfatizou.