Criada “Operação Resgate da FNLA” para salvar o partido

A JFNLA, braço juvenil do partido, anunciou ontem, em Luanda, a realização de um ciclo de manifestações contra o seu presidente, Lucas Ngonda, para forçálo a dialogar e encontrar uma solução dos problemas internos, como, por exemplo, a convocação do Congresso Ordinário

Denominadas “Operação Resgate da FNLA”, as manifestações passarão a realizar-se todos os Sábados das 8 às 14 horas, e a primeira será já no dia 16, partindo do cemitério da Sant´Ana até à sede nacional deste partido, no Bairro Popular. Em entrevista aOPAÍS, o coordenador destas manifestações, Joveth de Sousa, informou que um dos principais objectivos é forçar o líder deste partido a convocar o Congresso Ordinário, já que o mandato do elenco saído do anterior conclave, de 2015, termina a 16 de Fevereiro.

O entrevistado disse que, com base nos estatutos desta força política, nos seus artigos 22 e 23, o líder do partido deve convocar o Congresso um ano antes de terminar o mandato, mas até ao momento não o fez. Aliás, segundo Joveth de Sousa, antigo secretário nacional da JFNLA e actual membro do Comité Central, Lucas Ngonda deveria ter convocado o Congresso Ordinário no ano passado, mas preferiu realizar um extraordinário não electivo, decorrido em Junho na província do Huambo. Apesar de não ser de renovação de mandatos, de acordo com o entrevistado deste jornal, Lucas Ngonda aproveitou-o para se “reconduzir, assim como os seus membros ”, num conclave foi anulado pelo Tribunal Constitucional, por violar os estatutos. Mas ainda assim, fazendo fé nas declarações de Joveth de Sousa, o líder do partido não acatou as orientações do Tribunal Constitucional e recusa-se a convocar o Congresso Ordinário. Face à recusa, a JFNLA decidiu realizar uma série de manifestações “até à demissão total e incondicional do presidente do partido”, a quem acusam ainda de arrogância e de conduzir esta força política como se de uma propriedade privada se tratasse.

Sem diálogo

Joveth de Sousa, um antigo delfim de Lucas Ngonda, reforçou que as manifestações surgem depois de o presidente ter recusado dialogar com os jovens, após várias tentativas, por escrito e através de emissários internos, como a Associação das Mulheres Angolanas(AMA), braço feminino desta organização, mas sem sucesso. Esgotadas todas as possibilidades do diálogo, a melhor forma para levá-lo à razão é a “criação destas manifestações por tempo indeterminado, até que aceite dialogar e encontrar uma solução e tirar a FNLA da situação menos boa em que se encontra”, justificou Joveth de Sousa. Informou que este ciclo de manifestações conta com o apoio da JFNLA nas províncias de Malanje, Uíge, Cabinda, Cuanza-Norte, e Moxico, que passarão a fazê-lo nas sedes dos respectivos secretariados provinciais, enquanto se aguarda pelo pronunciamento das restantes províncias.

Autarquias Locais

O jovem político explicou que face à intransigência do seu líder, a FNLA ainda não definiu como vai participar nas eleições autárquicas, numa altura em está dividida em vários grupos, após divergências com o seu líder. Joveth de Sousa receia que caso a instabilidade interna entre o presidente e os membros (militantes) de base e intermédios prevalecer, este partido terá dificuldades de concorrer tanto nas eleições autárquicas em 2020, como nas eleições gerais de 2022. Por isso, apela a Lucas Ngonda que “pense no partido e não em si próprio para fazer a sua vida em nome do partido e à custa dos militantes, como os antigos combatentes, cuja maioria está a sofrer”, desabafou. Concluiu alertando para que o presidente reflicta bem e “procure encontrar uma solução pacífica e que tenha uma saída airosa, em vez de ser forçado a fazê-lo”.

error: Content is protected !!