Editorial: Angola não gosta de pobres

A reportagem ontem publicada por OPAÍS sobre doentes renais pobres diz muito sobre a falta de protecção do Estado angolano às pessoas mais vulneráveis. Este país não é para pobres, claramente. Pessoas doentes, abandonadas pelas famílias e pelo Estado, sujeitam-se a sobreviver de esmolas pedidas nas ruas e a passar a noite ao relento à porta do centro de hemodiálise do hospital só para aguentar mais um pouco, para ter acesso ao tratamento e viver mais uns dias. O Estado não tem transporte para todos, não os acolhe, não os sustenta, não os acarinha. Talvez por se julgar que a disponibilização do tratamento é suficiente. Não, não é, há nestas pessoas, sofrimento que precisa de ser mitigado. E a pobreza é um deles.