Mulheres ocupam 34 por cento da área da ciência no país

Os dados do segundo inquérito no país apontam que a percentagem de mulheres na ciência passou de 17 por cento, em 2011/2012, para cerca de 34 por cento em 2013/2014. Segundo o secretário de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, domingos da Silva Neto, a cifra representa um aumento significativo de perto de 100 por cento de mulheres na ciência

No âmbito das comemorações do dia 11 de Fevereiro, instituído pela Organização das Nações Unidas como Dia Internacional das Mulheres e Meninas da Ciência, o Ministério do Ensino Superior e o Instituto de Ciências Policiais e Criminais, realizaram ontem, no instituto Osvaldo Serra Van-Dúnem, palestras atinentes à “Experiência Profissional e Perspectivas de Inclusão das Mulheres na Polícia e nas Forças Armadas”, sob o lema ‘Pela plena integração das mulheres e meninas na Ciência’.

O secretário de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Domingos da Silva Neto, que falava à margem das comemorações do ‘Dia Internacional das Mulheres e Meninas da Ciência’, em representação da ministra do Ensino Superior, disse que a data deve ser vista como uma excelente oportunidade para, de um modo geral, incentivar e homenagear as mulheres que dão o seu contributo à educação e à investigação científica. Explicou que em Angola, dentre as seis áreas de conhecimento da UNESCO, a que detém um maior percentual de mulheres, em relação ao total geral, é a área de Ciências Exactas e da Natureza, com 10,7 por cento, contra 15,4 por cento de homens.

A seguir vem a área de Ciências Sociais com 9 por cento de mulheres contra 25,3 por cento de homens. As outras áreas de conhecimento, em geral, apresentam uma tendência de terem mais mulheres do que homens, sendo que a área de Ciências Médicas e da Saúde tem 7,5 por cento de mulheres contra 7,4 por cento de homens. Já a área de Ciências Agrárias possui um total de 7,5 por cento de mulheres contra 3,4 por cento de homens, a de Engenharias e Tecnologias 5,6 por cento de mulheres contra 1, 4 por cento de homens e a de Humanidades possui apenas 1,8 por cento de homens. “De uma forma geral, o total de mulheres na Ciência em Angola em 2013/2014 constituía apenas cerca de 34 por cento, contra 66 por cento de homens, o que representa um aumento significativo de 100 por cento de mulheres na Ciência”, disse.

Acrescentou que, em 2011/2012, a percentagem de mulheres era apenas de 17 por cento, pelo que este aumento significativo de mulheres na Ciência em Angola pode ser entendido como um resultado positivo da implementação de políticas de promoção da cultura científica e divulgação da ciência, particularmente no que tange a atracção de jovens mulheres para as carreiras científicas nos últimos anos. De acordo com o responsável, os dados percentuais por área de conhecimento mencionados antes do período de 2013/2014 demonstram menos inserção de mulheres nas áreas de Ciências Exactas, da Natureza e de Ciências Sociais.

55% de bolsas em doutoramento reservado para mulheres

A título de exemplo, salientou, o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (MESCTI) está a trabalhar no sentido de atrair e incentivar jovens a abraçar profissões científicas. Contando com o projecto de desenvolvimento de ciências e tecnologia financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, ele prevê atribuir bolsas para o doutoramento com maior percentual (55%) reservado para as mulheres. “Apesar do percentual geral das mulheres ser significativamente mais baixo do que o dos homens, ainda assim constitui um motivo de orgulho para todos nós contarmos com mulheres no ensino, na investigação científica, na criação de protótipos e na geração de tecnologia passível de ser inserida na sociedade, particularmente na cadeia produtiva”, disse. Por sua vez, o director-geral do Instituto Superior de Ciências Policiais e Militares, Comissário Luís da Fonseca Cadete, disse que no domínio do ensino, nos últimos dois anos foi de proporcionar uma melhor qualidade de ensino e investigação, com aposta virada para o próprio corpo docente, dotando-o de cursos de agregação universitária pedagógica e investigação científica, em que a presença feminina tem vindo a destacar- se gradualmente.

74 mulheres licenciadas em ciências Policiais e criminais

“Consta nas nossas estatísticas de 2017 a 2018 terem sido leccionados um total de 33 docentes do género feminino, sendo duas doutoras, 10 mestres e 21 licenciadas, cifras que certamente vão aumentar em função do quadro de necessidades. De igual modo, terminaram o curso de licenciatura em Ciências Policiais e Criminais 413 cadetes, sendo 74 do género feminino”, fez saber. Disse ainda que no domínio da investigação científica abrem-se boas perspectivas no âmbito da criação do corpo de investigadores científicos, onde a inclusão do género feminino tem sido a grande aposta da instituição. Porém, destacou o envolvimento das mulheres em acções de extensão universitária, junto das esquadras de Polícia e instituições de Ensino Superior em palestras sobre a importância da preservação do local do crime. Já a palestrante Maria da Silva, formada em Enfermagem e Decana do Instituto Superior de Ciências da Saúde, disse que a ciência é sem dúvida o caminho a seguir para o garante de um futuro sustentável.

“Angola e qualquer outro país não se desenvolve se não tiver ciência. E enquanto não tivermos uma ciência que responda às reais necessidades do nosso país, iremos depender sempre dos outros. E o risco que corremos nesta dependência é de deixarmos de sermos um país soberano para depender da tecnologia e ciência de outros países”, explicou. De acordo com a palestrante, se não aplicarmos a ciência e se não investigarmos continuaremos a importar tecnologia e ciências que não se enquadram no nosso contexto. Fez saber que a União Europeia continua a ser líder mundial em números de pesquisadoras com uma participação de 22, 2 por cento desde 2011, seguida da China com 19,1 por cento, que ultrapassou os Estados Unidos, com 16,7 por cento. A participação mundial do Japão reduziu de 10,7 por cento em 2007 para 8.5 por cento em 2013 e a Federação Russa também caiu de 7,3 para 5,6 por cento.

Sudoeste da Europa com percentagens de mulheres em pesquisa mais altas

Segundo Maria da Silva, as regiões com as percentagens mais altas de pesquisadoras são o Sudoeste da Europa, com 40 por cento de mulheres na pesquisa, o Caribe, a Asia Central, América Latina com 44%, África Subsahariana com 30 por cento e o Sul da Ásia com 13 por cento. Salientou todavia, que as mulheres constituem uma minoria no mundo das pesquisas. Estas últimas são menos representadas nas universidades de prestígio e entre os professores séniores. O acesso a financiamento é mais limitado do que o dos homens, o que aumenta a sua desvantagem no mercado editorial de alto impacto. As mulheres globalmente atingiram de 45 a 55 por cento nos níveis de baixa formação. com mestrado representam 53 por cento dos graduados. No nível de doutoramento as mulheres caem abaixo para 43 por cento.

A ONU criou esta data especial para as mulheres com o propósito da diminuição das diferenças de género e para a alcançar o Desenvolvimento Sustentável na sua agenda até 2030.Para este ano, a celebração desta data tem como lema: “Pela plena Integração das Mulheres e das Meninas na Ciência”. Em Angola este ano a homenagem é em particular para as mulheres polícias, pelo seu contributo no desenvolvimento do ensino e da investigação ciência do país em várias áreas.“A percentagem de mulheres na ciência passou de 17 por cento em 2011/2012 para cerca de 30 por cento de 2013 a2014. Ainda assim, estamos dos objectivos de desenvolvimento da agenda da UNESCO de 2030”, afirmou a palestrante.

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