Rui Falcão: “ a corrupção não se combate com decretos”

O 1º secretário do comité provincial do MPLA em Benguela, rui Falcão, considera imperioso engajar todos os militantes e cidadãos em geral na prevenção e combate à corrupção, à impunidade, ao nepotismo e à bajulação, mas alerta que estes crimes não se eliminam com decretos

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

Falando Sábado, 9, no acto político de massas de a apresentação da agenda política para 2019 na cidade do Lobito, o político sublinhou que 2019 constitui-se no ano da afirmação e consolidação das grandes transformações nacionais. Para isso, elegeu o sector social e a diversificação da economia como condições de base para a melhoria da qualidade de vida das famílias e dos cidadãos. “Estamos apostados no fomento da produção de bens e serviços e com isso gerar empregos que se consubstanciem na melhoria dos rendimentos das famílias e, com isto, na prosperidade”, disse. No domínio da vida interna, em que se pretende melhorar a todos os níveis a organização e de forma saudável, o seu partido continuará a progredir rumo a uma cada vez maior democratização interna.

Aposta nas plataformas digitais

No domínio da comunicação institucional, o MPLA, disse Rui Falcão, deverá divulgar a sua posição em relação a todas as matérias relevantes do país, da província e dos municípios. “Queremos também reforçar a nossa presença em todos os debates onde se discuta a vida nacional para melhorar o funcionamento das nossas plataformas digitais e a interacção com o nosso povo”, prometeu. O também membro do Bureau Político do MPLA quer que o seu partido continue a liderar a mobilização dos jovens para os aspectos que contribuam para a sua prosperidade. “Referimo-nos à formação, ao emprego, ao empreendedorismo, à inovação, à educação cívica e patriótica e a ocupação dos tempos livres”. Reforçou ser necessário dotar os jovens de capacidades técnicas suficientes para o exercício de funções de responsabilidade, quer no aparelho partidário, quer no Estado. “Não basta dar-lhes educação, não basta dar-lhes formação. É preciso trabalharmos todos para lhes darmos empregos de dignidade, empregos sustentáveis e sustentados”, defende.

Eleições autárquicas e candidaturas

No domínio da preparação e participação para o processo autárquico, disse ser necessário que se aplique a estratégia integrada para as eleições e disseminá-la a todos os níveis e mostrar que Benguela é bastião do MPLA. No quadro da democracia interna do partido, impõe-se que os órgãos superiores aprovem e os órgãos intermédios e de base apliquem o regulamento das eleições internas dos candidatos aos órgãos autárquicos. “Vamos permitir novas formas de candidatura, novas formas de concorrência sã e democrática, onde deverão ser apurados aqueles que melhores condições têm para representar o nosso partido”, garante. Falcão disse ainda que os melhores militantes do partido, sobretudo aqueles cujo comportamento dignifica a agremiação política, merecem a confiança para representar o partido nas eleições autárquicas. “É preciso que sejam os militantes a definir quem serão os nossos candidatos. E é isso que o partido se propõe a fazer no quadro das próximas eleições autárquicas”, disse.

Boa governação

No que respeita à boa governação, continuar-se-á, segundo Falcão, a apoiar o Executivo na implementação de projectos e programas que visem a melhoria da qualidade de vida dos angolanos e monitorar a execução do Plano de Desenvolvimento Nacional 2018/2022. “É preciso apoiar de forma afincada o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações, como condição para fortalecer os nossos empresários e, com isso, criarmos também mais emprego”, salientou. Rui Falcão considera imperioso engajar todos os militantes e cidadãos em geral na prevenção e combate à corrupção, à impunidade, ao nepotismo e à bajulação. “É preciso discutirmos com profundidade, aquelas que são, de facto, as prioridades para a governação em representação do MPLA”, diz. Recordou que aquando da campanha de 2017, o seu partido introduziu na sua agenda um combate “claro e inequívoco contra a corrupção e acabar com a impunidade”. “Alguns pensavam que era brincadeira, mas hoje a realidade mostra o contrário”, disse.

A corrupção não se combate com os decretos

Entretanto, o político avisa que a corrupção não se combate com decretos, mas com acções práticas, daí que seja necessário que o MPLA avalie de forma sistemática e contínua aqueles a quem indica para o exercício de funções no Estado. “Aqueles que aceitam dar a cara pelo partido nessas funções têm que ter a humildade suficiente de se submeter ao crivo de avaliação dos nossos militantes”, disse.