Standard & Poor’s piora Previsão de Evolução de Angola para Negativa

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) reviu em baixa a Perspetiva de Evolução da economia de Angola, de Estável para Negativa, devido ao “significativo aumento” da dívida pública. Sobre o assunto, o economista Francisco Silvestre defende o surgimento de políticas inclusivas para o sector empresarial para que Estado fique em condições liquidar dívidas a longo prazo

Para o economista Silvestre Francisco, o crescimento da economia depende das empresas e não do Estado, pois deste jeito o Governo acabará por se endividar cada vez mais. “Temos uma dívida acima dos 50% do Produto Interno Bruto (BIP), isto é prejudicial para as futuras gerações”, explica. Na sua opinião, precisa-se de mais políticas inclusivas para o sector empresarial e o Estado estará em condições liquidar dívidas a longo prazo. Para ele, há necessidade de se criarem medidas económicas voltadas para as empresas e as famílias, no sentido de libertarem o rendimento e estarem em condições de cumprir as obrigações de curto, longo e médio prazo, principalmente no pagamento de impostos, o que vai permitir alavancar a economia nacional.

“As famílias, quando têm rendimento, procuram desenvolver a sua vida social com a compra de residências, por exemplo, e o Estado ganha com o Imposto Predial Urbano (IPU) ”, ressalta. Questionado sobre as consequências da previsão negativa da economia angolana, referiu que vão existir problemas em todos os sectores, como o aumento dos preços e a expectativa por parte dos empresários vai baixar, sendo que os mesmos vão manter os negócios com a especulação de preços, que, em princípio pode ser lenta, mas pode se chegar a uma híper-inflação.

Nesta altura é necessário contar com as famílias e todos os parceiros para maior rendimento. No seu entender só existe estabilidade na economia quando há produção. Silvestre Francisco reconhece que o país ainda tem uma política fiscal inversamente proporcional, no entanto, é preciso alargar a base tributária. Por outro lado, existe um sistema bancário com muitos problemas. Neste momento, três bancos encerraram e muitos não são competitivos, ou seja não acompanham a dinâmica dos indicadores da economia. A título de exemplo, Silvestre Francisco referiu que a banca tem responsabilidade social a nível de créditos e empréstimos. Porém, regista-se um fraco acesso aos empréstimos e os bancos não têm cumprido as exigências do Banco Nacional de Angola (BNA) de subir o activo do capital social para KZ 7.5 milhões.

“ É preciso apostar no surgimento de bancos ligados ao sector agrícola, cooperativo, de modo a mobilizar e alavancar o sector empresarial privado”, ressalva. Referiu ainda que, desde 2014 o nível de produção encontra-se reduzido. Por esse motivo, existem muitos problemas relacionados com a estabilidade dos preços.No entanto, para 2019 estão previstas políticas que podem ajudar a alavancar a produção, mas as referidas medidas não são concretas ou seguras para os empresários estarem expectantes numa nova dinâmica ou mudança. “É necessário uma política que consiga atrair o sector privado para uma produção efectiva que garanta a estabilidade dos preços e mais postos de trabalho”, explica. Disse ainda que, o preço do barril de petróleo, no final de 2018, tinham um preço de referência de USD 68 e ainda não atingiu valor previsto no Orçamento.

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