Um Machel corrido da Frelimo?

A notícia seria inimaginável há algum tempo, tal como pode parecer inimaginável em Angola. Mas nem tanto assim. De facto, as ideias, estou em crer, nem se transmitem pela via genética. Inúmeros casos de filhos com opções políticas diferentes das dos pais não são muito conhecidos, por causa da guerra, porque poderia ser assunto de vida ou de morte, mas temos sim, temos de ter, porque somos humanos. Ou por princípios e logo de “início”, ou por divergências que se vão cavando. Nada de mais natural. A flutuação dos votos em algumas áreas do país são disso prova. Os fi lhos nem sempre votam com os pais e as autarquias, que se avizinham a correr, talvez venham a ser prova disso. Há cada vez menos espaço no coração dos jovens para os partidos, há cada vez mais liberdade de escolha segundo os interesses e objectivos em cada momento. Isso é bom, dá mais trabalho aos partidos, impõe-lhes mais coerência e realismos. Mais respeito pelo eleitor. Mas então, o que era inimaginável, e ainda o é, se calhar, é a provável expulsão do filho do presidente Samora Machel da Frelimo, em Moçambique. Sim, ele concorreu nas autárquicas do ano passado contra o seu próprio partido, contra o partido de que o pai foi presidente. Os mais velhos zangaram-se e querem-no fora da agremiação. Foi apenas uma situação circunstancial, em Angola temos montes de casos de disparidade ideológica. E ainda bem que assim é.