Carta do leitor: Conta a matar no turismo de Apartheid

POR: João Hortêncio

Caros amigos do jornal OPAÍS, Eu estava quase a levar a sério a conversa sobre o fomento do turismo no nosso país, mas já vi que afinal é só brincadeira. Aqui nos brincam muito. O turismo, para ser mesmo uma parte importante da economia de um país, tem de ser uma máquina de fazer dinheiro, popular, que não exclui ninguém, sem apartheides. Tem ser acessível. Uma máquina que não pára, nem de dia, nem de noite. Porquê que eu digo que é brincadeira, devem estar a perguntar, mas acho que todos sabemos qual é a resposta. Andar de avião é caro. Andar de autocarro ou de carro é quase impossível, o comboio é pouco fiável. Então fiquemos mesmo nas nossas cidades, vilas e aldeias. DR Se ficamos em Luanda, nestes dias de bué de calor, então queremos dar um mergulho no mar. Baza na Ilha, mas lá as boas praias estão tomadas pelos restaurantes. Espreitamos e vemos que só tem mesmo turistas. Bom. Angolanos são poucos. Só alguns que já sabemos. Mas queremos ser finos também, turismo é para toda a gente. Só que aí a fronteira se chama jabá. Os próprios servidores do turismo não querem lá os angolanos. Aqui, só a conta? Vejam só como se carrega nos preços (vos mando factura em anexo, que não é minha, graças a Deus, só me mostraram). Visto isso, seja a ministra, um director, uma associação, um empresário, se alguém me falar mais do turismo, qual turismo?. acho que vou mandá-lo brincar noutro lado.

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