Coreia do Norte pode ter mais bombas nucleares, mas a ameaça diminuiu

A coreia do norte continuou a produzir combustível para bombas durante as conversas de desnuclearização com os Estados Unidos e pode ter produzido o suficiente no ano passado para acrescentar até sete armas nucleares ao seu arsenal, segundo um estudo divulgado poucas semanas antes de uma segunda reunião entre o líder norte-coreano e o Presidente dos EUA, Donald Trump

Mas, considerando a interrupção de testes nucleares e de mísseis do país em 2017, o programa de armas da Coreia do Norte representa provavelmente uma ameaça menor do que no final daquele ano, disse o relatório do Centro para a Segurança e a Cooperação Internacional da Universidade Stanford. Siegfried Hecker, ex-director do laboratório de armas de Los Alamos, no Estado norte-americano de Novo México, que esteve ontem em Stanford e foi um dos autores do relatório, disse à Reuters que análises de imagens de satélite mostraram que a produção norte-coreana de combustível para bom-bas continuou em 2018.

Acrescentou que o combustível gasto na operação do reactor de 5 megawatts da sua principal central nuclear de Yongbyon, entre 2016 e 2018, parece ter sido reprocessado no início de Maio e teria produzido entre 5 e 8 quilos de plutónio para armas. Isso, somado à produção de talvez 150 quilos de urânio altamente enriquecido, pode ter possibilitado a Pyongyang acrescentar entre cinco e sete armas ao seu arsenal, diz o relatório de Stanford. A equipa de Hecker estimou em 30 a quantidade de armas da Coreia do Norte em 2017, elevando para 37 o possível total actual. A intelligentzia dos EUA não sabe ao certo quantas são as ogivas nucleares que a Coreia do Norte possui a mais. No ano passado, a Agência de Defesa de intelligentzia estimou cerca de 50 ogivas, e analistas acreditam numa cifra entre 20 e 60.

O relatório de Stanford disse que, embora a Coreia do Norte provavelmente tenha continuado a trabalhar na miniaturização de ogivas e nos meios para suportarem o transporte em mísseis balísticos intercontinentais, a suspensão dos testes limitou muito a sua capacidade de fazer tais aprimoramentos. “Eles continuaram o equipamento para fazer plutónio e urânio altamente enriquecido”, explicou Hecker. “Mas isso também depende da conversão em armas – o projecto, a construção e o teste, e depois a montagem.” “Quando eles pararam com os testes de mísseis, estas coisas recuaram. Então, quando olho o espectro total, para mim a Coreia do Norte… está menos perigosa hoje do que no final de 2017”, garante o relatório.